Uma profissional de respeito

Hoje tem Risoto de Presunto Parma

Ela nasceu no início dos anos 80 e pelo o que recorda já na primeira série respondia na ponta da língua o que queria ser quando crescer: aeromoça. Depois veio a fase de querer ser professora, profissão essa desestimulada pela mãe, que dizia que 10 entre 10 garotas queriam ser professora e que um dia aquele desejo mudaria. E ela tinha razão – pelo menos em partes.

O tempo foi passando e aquela garota estudiosa, responsável, mas um bocado tímida tinha grandes sonhos. Sonhava em ser famosa, ou alguém importante, mas o principal é que queria mudar o mundo, na verdade sabia que sua missão na Terra era mudar o mundo.

Com 15 anos começou a trabalhar num escritório de contabilidade e era uma “faz tudo”, pagava contas no banco, levava e buscava documentos na Receita Federal, lançava notas fiscais e teve seu primeiro contato com computador: paixão à primeira vista. Aprendeu tanta coisa nesse primeiro trabalho que não foi difícil transformar seu segundo emprego – temporário – em definitivo. Com este trabalho pôde ter dinheiro para realizar um sonho: fazer aulas de teatro. A experiência foi tamanha que ela acredita até hoje que esse segundo trabalho foi o responsável por moldar a profissional que ela é hoje.

Depois veio a fase das grandes dúvidas sobre o que “ser quando crescer”. A ideia de aeromoça – agora chamada comissária de bordo – e até mesmo professora já haviam ficado para trás, mas outras opções chegaram. Deveria fazer psicologia ou jornalismo?

Nem uma nem outra, acabou sendo convencida a fazer marketing, profissão que tinha a ver com seu perfil profissional – segundo seu chefe. Porém a profissão administração de empresas lhe dava arrepios, ela achava, ou melhor, tinha absoluta certeza que esse era o curso dos indecisos, e se tem algo que ela nunca se permitia era fazer algo por fazer. Tudo tinha que ter uma razão concreta, bem pensada e planejada. Ela levava a escolha profissional muito a sério. Então foi lançado o desafio: que ela experimentasse esse primeiro ano de ADM-Marketing, se não gostasse era só parar e recomeçar o que quisesse.

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Quem é a minha mãe?

Confesso que esperava com ansiedade este dia. O dia de escrever um texto exclusivo pra ela. Quem me acompanha desde o começo no blog pôde ler e participar da minha homenagem ao meu pai. Agora é a vez dela, minha rainha, minha mãe.

Mãe, se eu pudesse ir bem fundo eu gostaria de te falar sobre meu período em seu útero, tenho certeza que lá era gostoso, quentinho, tranquilo e que era muito bem alimentada e amada, falo isso porque assim me sinto até hoje em sua presença. E como forma de retribuição eu dava chutinhos de alegria, só pra te lembrar que quando eu chegasse seria pra sempre sua amiga, sua parceira. Hoje já não chuto mais, mas quando quero me mostrar presente eu falo, escrevo, beijo e digo que te amo. E como amo!

Eu fui muito tímida, mas você me conhece por completo, mesmo quietinha num canto você sempre soube me interpretar. Ontem ainda eu chorei de saudades e hoje acordei com os olhos verdes, tenho certeza que se você pudesse vê-los você pensaria “a Tati andou chorando”. Os olhos verdes de alegria, são bem diferentes do verde de tristeza. E você sempre acerta!

Quietinha em seu canto você está sempre observando as coisas, e apesar de parecer frágil só quem a conhece pra saber a fortaleza de mulher que você é na verdade. E só muita força pra aguentar certas barras com os filhos né? Filha bebê levando 13 pontos no rosto, filha criança ser atropelada e filho adolescente dando um baita susto pelas rebeldias da idade?!?!??! Só sendo muito forte mesmo e permanecendo firme, muito firme até hoje.

Nunca conheci alguém tão pé no chão como você. Às vezes me sentia decepcionada com o que na época eu pensava ser frieza, mas que hoje vejo como sensatez. Você é aquela capaz de dar um banho de realidade quando mais precisamos estar em alerta, e não deprimidos e se achando vítimas das circunstâncias.

Já levei umas surras das suas mãos, mas o que marcou não foi a dor, mas sim as palavras que sempre diziam: “dói mais em mim do que em você”. E apesar de não me sentir uma pessoa pior ou melhor por já ter apanhado, hoje tenho certeza que não baterei em meus filhos, não quero sentir esse tipo de dor, porque eu via em seus olhos a dor, mas respeito que na época não se falava em alternativas e eu te desculpo pelas palmadinhas. O meu amor por você é incondicional.

Mãe, você lembra que eu era uma criança meio enjoadinha, emburrava sempre, vivia sentida né? E você lembra também do dia que eu reclamava de dor nos olhos e numa confusão de embalagens ao invés de água boricada você pingou umas gotinhas de algo muito ardido em meus olhos? Eu chorava, chorava, e você achava que era frescura, mas de tanto chorar você viu a confusão e eu de novo vi em seus olhos aquela dor. Mas a gente desceu, você colocou uma fraldinha molhada em meus olhos,  e ficamos tomando um solzinho só eu e você até passar o ardor. Lembro até hoje desse dia, não da dor, mas daquele abraço gostoso só eu e você lá embaixo.

Engraçado pensar que o homem da casa é o chorão, o Sr. Emoções da Silva, e a mulher é a fibra, a Sra. Fortaleza da Silva. Essa nossa família é toda incomum mesmo! E eu adoro de paixão. Obrigada por acreditar no amor, apesar da distância que você e o pai tinham na época do namoro. Nos dias de hoje você seria chamada de maluca por casar com um cara que conhecia há 3 anos, mas que via no máximo duas vezes no ano! Mesmo assim encarou, deixou pra trás mãe, pai, 7 irmãos (que alguns até hoje a encaram com uma mãe pra eles), e partiu rumo à cidade grande, tendo como família pessoas desconhecidas, mas uma família a ser formada. Se existo hoje é porque tenho uma mãe corajosa.

Minha gratidão a Deus é infinita, porque ele me deu a melhor família que eu poderia querer. E se hoje cresci com muita esperança na vida, fé em Deus e na luta foi graças a você, que quando acredita em algo não desiste tão facilmente, foi assim com nossa casa e vem sendo assim até hoje. Você não desiste fácil de nada. Pra alguns pode parecer teimosia, eu digo no entanto que isso é determinação.

Obrigada por me apoiar, por se orgulhar das minhas consquistas, por estar presente na realização dos meus sonhos. Em muitas famílias concluir a faculdade, pós-graduação, estudar fora do Brasil, comprar apartamento podem ser obrigações ou algo banal, mas eu sei o tamanho que essas realizações têm para você. Se alcançamos algo hoje é pelo trabalho das nossas mãos e pelo apoio moral de você e do pai. Grana curta, sabe como é, comecem a lutar o quanto antes… lição aprendida!

Eu ficaria aqui durante horas escrevendo sobre você, mas algumas lembranças eu quero guardar em meu coração, num lugar especial, cheiroso, florido, colorido, que é o lugar de uma rainha.

Peço a Deus que me conceda a graça de um dia ter um filho e poder errar, mas acima de tudo acertar e marcar a vida dele, assim como você fez e vem fazendo em minha vida. Isso sim seria a maior realização da minha vida e eu tenho certeza que você estará junto pra se orgulhar mais uma vez de sua filha.

Mãe, apesar da distância eu penso em você todos os dias. Sinto saudade do seu cheiro, do seu colo e das suas palavras. Obrigada por ser quem é. Por ser uma mãe e avó maravilhosa. Tenho orgulho de dizer que sou sua filha. Te amo!

Hoje não tem receita, mas uma foto apetitosa como forma de agradecer o dom de cozinhar, que com certeza herdei de você. Oh comida boa da minha mãe!

A feijoada é da Tati. A inspiração é da D. Iris.

Deleite-se com a vida!

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Dicas da Sonia: O Castelo de Vidro

Apesar de amar a maioria dos livros que acabei de ler, há muito tempo não me emocionava com um.

Não sou daquelas que fica lendo e chorando horrores, mas nem por falta de lágrimas deixo de ficar emocionada, e com O Castelo de Vidro de Jeannette Walls foi exatamente assim, muita emoção:

Em O Castelo de Vidro Jeannette conta a história biográfica de sua vida. Se não fosse pelo final feliz, poderíamos dizer que esse livro é trágico, tamanha miséria e falta de lucidez de seus pais.

Os pais de Jeannette foram negligentes com a criação dos 4 filhos simplesmente por escolherem levar uma vida sem preocupações, sem emprego, sem dinheiro, sem compromissos com nada. Rex Walls é extremamente inteligente e uma pessoa única em personalidade, mas sua fuga da realidade é a bebida e o jogo. Sonhava grandes sonhos e tinha profunda admiração da filha Jeannette; Rose Mary Walls é uma artista, professora por formação (e obrigada pela mãe), mas acima de tudo uma sonhadora, nunca deu mole aos filhos, mas também nunca assumiu seu papel de mãe, preferia fugir da responsabilidade desenhando e sonhando com o dia que se tornaria uma pintora famosa.

Assim os filhos foram criados como verdadeiros favelados, fedidos, mal vestidos e que futucavam o lixo para terem o que comer, que cozinhavam sua própria comida aos 5 anos de idade ou se defendiam como podiam das desgraças da vida. A mais velha, Lori, com o passar do tempo já farta de tanta miséria não aceita sua situção; artista talentosa sonha com o dia que deixará a vida nômade e errante que os pais proporcionavam. Jeannette não é a garota bonita, é alta demais, ruiva e dentuça, porém corajosa, inteligente e com ótima lábia para se virar como pode, sempre encontra uma boa solução para algo, juntamente com seu irmão Brian que a admira e sempre topa participar de suas ideias e estratégias. A caçula Maureen é a garota linda, loira de olhos azuis e por conta de tantos atributos nunca precisou se esforçar muito, pois seu charme era tanto que atraía para si as coisas boas da vizinhança, assim estava sempre alimentada, vestida e limpa.

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Cia Onde?

Vai um peixinho aí? Hoje tem Moqueca Paranaense.

O post a seguir foi escrito em fevereiro/2012 (antes da mudança de cidade). Esqueci de postar antes, mas foi escrito com tanto carinho que vai assim mesmo:

Não tem jeito, mas toda vez que eu falo onde moro eu sinto um ponto de interrogação na cara dos paulistanos! hahahahaha. Então geralmente meu processo de dizer onde moro é assim: moro no interior do PR; moro no interior do PR próximo a Maringá; moro no interior do PR há 200 km de Londrina; e quando a pessoa se interessa em saber exatamente onde, eu digo: moro em Cianorte.

Há dois anos eu nunca tinha ouvido falar em Cianorte, já conhecia Maringá por nome, mas também não sabia nada mais sobre o noroeste do PR. Nunca havia pisado nessa terra vermelha e um belo dia recebi uma proposta para trabalhar aqui. Doida por um desafio que sou aceitei a proposta (não sem antes chorar, pensar, duvidar, decidir). Decidir por mudar de São Paulo, a maior cidade do Brasil, e uma das maiores do mundo, não foi fácil, mas ainda assim saí de mala e cuia literalmente.

O céu mais lindo que já vi. Arco-Íris não era raro e o céu ficava completamente dourado.

Chegando aqui eu estranhei o calor (muito forte e abafado), mas confesso que minha adaptação não foi difícil. Eu estava vivendo um momento de muito stress em São Paulo, Continue lendo

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Bacalhoada

Se a minha ideia era ajudar alguém a preparar o almoço da sexta-feira Santa, acho que cheguei meio tarde! rs. Mas não poderia deixar passar batido, principalmente pela cara ótima que esse prato ficou quando eu fiz pela primeira vez… confere aí:

Bacalhoada - antes

Esse foi o primeiro prato que fiz fora do trivial depois de casada e modéstia à parte acho que comecei com o pé direito. A bacalhoada ficou tão boa, mas tão boa, que comemos tanto, mas tanto, que logo depois capotamos no sofá… ai que pecado comer assim! rs

Na casa da minha mãe não é costume ter um super almoço na sexta-feira da Paixão, apenas comíamos um peixinho e reservávamos o bacalhau para o domingo. E acho que faz todo o sentido, afinal a sexta-feira, para nós católicos é um dia de jejum, abstinência e dia de reflexão e recolhimento. Diferente do domingo de Páscoa, dia de alegria, renascimento, dia de família e comida boa.

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Valei-me São José!

Hoje tem nhoque de batata.

Uma sábia frase diz que não se discute religião, futebol e política. Concordo totalmente, e por isso levo pelo prinpício de respeitar a decisão das pessoas em suas crenças, torcidas e partidos. E quero o mesmo.

Não vou falar hoje de religião propriamente dita, mas sobre minhas experiências mais recentes com relação à fé. Eu sou católica desde que me entendo por gente e bastante ativa na minha religião, mas mesmo assim, eu lembro bem que participar das missas aos domingos era um pouco torturante. Eu tenho um sério problema com concentração e na hora H ou meus pensamentos viajavam demais ou eu sentia um sono mortal, mesmo assim me esforçava indo aos domingos (quase todos).

Ontem foi dia de São José e considerando uma TPM que estou atravessando, somada à saudade de Sampa, com a bagunça que minha casa ainda está e o fato de estar trabalhando em casa, não poderia resultar em outra coisa senão um coração em carne viva.

Já explico. Quando eu morava em Sampa frequentávamos a Paróquia São José, e nos dias que antecedem o dia do seu padroeiro a igreja fica toda em festa, culminando assim no dia 19 de março com uma lindíssima missa noturna com queima de fogos. A igreja fica lotada e a gente sente uma emoção muito grande vindo das pessoas com suas crenças, com seus pedidos por intercessão de São José. Ontem bateu muita saudade disso.

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Dicas da Sonia: Não Comi, Não Rezei, mas me Amei

Se tem uma seção que eu fujo na livraria é aquela chamada autoajuda. É incrível confessar isso tendo em vista que os livros mais vendidos no Brasil, e acredito que no mundo, sejam dessa categoria. Eu já tentei alguns, mas todos me parecem uma receita de bolo: faça assim, coloque aquilo, nunca faça tal… e pimba, seja feliz pra sempre. Não gosto dessa abordagem. Com certeza é preconceito meu, porque existem bons livros nesta categoria, assim como esse que acabei de ler.

Pois é, eu li Não Comi, Não Rezei, mas me Amei da escritora brasileira Gisela Rao. O título não é mera coincidência e tampouco uma tiração de sarro com o livro Comer, Rezar, Amar, mas vai ter que ler pra saber o motivo do nome do livro:

A autora passou 365 dias vigiando sua autoestima e reuniu os principais acontecimentos numa espécie de diário. Assim, o livro é dividido em três partes, classificando a autoestima em palha, madeira e tijolo, numa relação direta ao conto de fadas dos Três Porquinhos. Além dos acontecimentos diários da autora o livro está intimamente ligado ao blog Vigilantes da Autoestima.

Adorei o livro e recomendo a todos, principalmente às mulheres – campeãs no quesito sabotagem-a-si-mesma. A autora é extremamente generosa com seus leitores, pois falar de intimidade não é fácil, mas que mesmo assim ela aborda de forma cômica, direta e muito franca, sem enrolação e drama. É tudo pa-pum.

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