Eu, bolo

Trinta e seis meses depois e eu posso afirmar que este é o meu mais longo hobby de vida. Tirando o balé na infância, que fui praticamente obrigada pela minha mãe a fazer, não me recordo de mais nada ter durado tanto. A yoga durou uns três anos, mas entre idas e vindas, a natação uns dois, o teatro mais dois, a academia… hahahaha… 3 gloriosos meses. É, o Deleite da Vida acaba de ser promovido ao meu projeto pessoal mais querido e duradouro.

E hoje esse filho faz 3 aninhos. Terá ele já passado pela fase dos “terríveis dois“? Parem pra pensar, se você reler os posts de um ano pra cá perceberá que havia um tom de rebeldia, de raiva, de dor, de mimimi, de vontade de se jogar no chão do shopping e berrar, berrar, berrar… ops, eu falei havia?

Terá sido/É Frescura? Tristeza? Manha? Imaturidade? Transformação?

Sabe que não sei responder? E nem quero? Mas parando pra pensar agora enquanto escrevo, e nem sei ao certo sobre o quê este post fala, eu acho que estou numa transformação profunda. E para não fazer analogias com bebês de novo, e seguindo a linha do blog, eu diria que estou como um bolo dentro do forno. Primeiro fui farinha, açúcar, leite, gordura, ovos, essência de algum sabor, raspas de uma fruta ou pedaços de diversas castanhas, fui fermento também, e qualquer outro ingrediente que você queira imaginar aqui, porém todos separados. Depois tudo se misturou na batedeira, ou melhor, minha versão “eu, bolo” foi batida na mão sabe? Mais demorado e com certeza mais doído para os ingredientes. Já pensou na cara da farinha que não era muito chegada aos ovos quando eles tiveram que enfim se misturar? E a gordura salgada quando entrou em contato com o açúcar? Será que ela gostou desse encontro?

E quando enfim todos os ingredientes aceitaram sua nova condição, eles se misturaram transformando-se em algo único. Só que não havia acabado, e mal imaginariam o que viria a seguir. O forno. O fogo. O calor. O quase queimar.

O bolo ainda não está pronto, mas a mistura está lá no forno se transformando. É preciso cuidado. Não posso abrir o forno antes do tempo de crescimento senão ele murcha depois de assado, tampouco posso esquecê-lo senão ele queima.

E quando o bolo assar o que espero é que seja delicioso, fofo, apetitoso e que tenha crescido o máximo possível. Os ingredientes de melhor qualidade eu usei, também fiz tudo com muito amor. Eu diria então que metade do processo está garantido, restando apenas que eu tome cuidado em relação ao fogo, mas sabendo que ele vai esquentar, esquentar e esquentar. E que esse calor que parece queimar é parte essencial para a transformação do líquido em bolo. Não há escapatória se eu quiser realmente desfrutar de um bolo bom.

Estarei atenta e desligarei o forno no momento exato de atingir meu objetivo de um bolo magnífico. Digno de foto para o projeto pequenos deleites do dia.

Beijos sabor bolo de cenoura com cobertura de chocolate pra você, que dia desses eu acertei, e já entrou no projeto. Enquanto isso, “eu, bolo”, continuo no forno, sem pressa, pois não quero murchar, nem queimar.

Dia150

Deleite-se!

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8 respostas para Eu, bolo

  1. Renata disse:

    Mais um texto delicioso!!!! Espero que esteja ainda reservado para este bolo uma calda maravilhosa e uma cobertura sabor chocolate!!! <3

    • Tati Ferreira disse:

      Obrigada Renata <3
      Nossa adorei a ideia heim? Com recheio de frutas vermelhas e uma cobertura de chocolate, o que acha? Bolo completo heim? Chego lá… <3
      Beijo grande.

  2. Vanessa disse:

    Hum, que bolo gostoso vai sair dai… grande, robusto e cheio de recheio!!! sou suspeita pra falar, pq amo fazer bolos! ;) bjossss

    • Tati Ferreira disse:

      Assim que “eu, bolo” ficar pronto eu te chamo pra degustarmos juntas. Vc tem sido muito importante neste processo “prima-amiga”.
      Quando mamãe e Thiago estiverem mais adaptados a gente marca uma tarde de papos & bolos, o que acha?
      Beijooooo

  3. Ana disse:

    Você tem um dom de fazer metáforas perfeitas. :)

    • Tati Ferreira disse:

      Obrigada pelo elogio! Vindo de uma especialista em textos eu seu o valor… :)

      Sabe que é uma coisa que adoro exercitar enquanto não tô fazendo nada que exija muito pensamento? Tipo lavar a louça, passar roupa… vou exercitar mais essas metáforas com as coisas do dia-a-dia… eu acho bem gostoso e serve muito pra mim pra clarear algumas coisas na cabeça.
      Beijos

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