O taxista descontrolado e a falta de amor…

Antes de contar o ocorrido, me permita uma breve introdução:

Meu pai nunca permitiu que meu irmão pegasse qualquer carro antes de ter habilitação, que por sua vez odiava isso, mas esperava ansiosamente pelo dia de tirar a carteira de motorista.

E uma justificativa do meu pai em não deixá-lo dirigir era que ter um carro nas mãos era o mesmo que ter uma arma engatilhada, ou seja, se um profissional manusear corretamente ela não fará nada sozinha e não apresentará riscos a ninguém. Coisas de pai militar. Ele sabe o que fala.

E nesta introdução nem minha mãe fica de fora…

Eu aposto que você ouviu conselhos certeiros sobre guarda-chuva e agasalhos vindos de sua mãe né? E já se molhou ou sentiu frio quando contrariou a poderosa mãe, não? Pois é, eu também. Só que ela tinha também alertas sobre táxi. E sempre detestou o fato de que eu pegasse táxi em qualquer lugar. Ela sempre dizia pra eu pegar só de ponto conhecido e que mesmo assim evitasse. Era perigoso. E eu seguia sem entender ao certo…

E assim voltamos a 2014, mais precisamente dia 24 de fevereiro…

Neste dia eu vivenciei uma situação lamentável e senti na pele o perigo citado por minha mãe. E poderia facilmente ser a vítima de uma atitude inconsequente de um motorista despreparado, ao menos, emocionalmente falando. O que conta demais quando estamos falando de um profissional do trânsito. Um taxista.

Acompanhem comigo a situação:

Às 18h30 eu entro em contato com uma Rádio Táxi* (que nunca havia usado), e solicito um veículo para às 19h. Eles perguntam meu endereço, o destino e demais dados pertinentes. O trajeto seria curto, cerca de 2km.

A Rádio Táxi fez todos os trâmites de forma bem coerente, me ligando diversas vezes até o horário da chegada do carro. Uma ligação foi pra confirmar meu pedido e informar o prefixo do carro e marca, outra pra dizer que o prefixo* e marca* haviam mudado, outra ainda pra dizer que o carro estava a caminho, outra pra dizer que o carro levaria daquele momento de 10 a 15 minutos e perguntando se eu esperaria. E a última pra dizer que o carro havia chegado (19:07).

– Eu pensei, uau quanta eficiência. Vou descer já. E assim o fiz.

Ao chegar próxima ao veículo, que me aguardava em fila dupla e com o carro bem apertado pra abrir a porta, eu percebi que o taxista estava do lado de fora do carro, confesso que no início estranhei, mas fui simpática com ele, brinquei pelo fato da porta estar apertada, algo como “uau, será que consigo passar?”, dei um sorriso e fui entrando.

Achei que ele me retornaria a gentileza, mas o que ouvi foi algo como: “não acredito que vc agendou um táxi pra ir até o lugar X*!”, o sujeito estava claramente irritado, mesmo assim eu levei na brincadeira e disse, “ué eu achei que poderia agendar táxi pra ir aonde eu quisesse, não posso?”, ele respondeu, “as pessoas agendam táxi pra ir até o aeroporto e não pra ir no lugar X”, eu falei, “mas eu tenho um compromisso com horário no lugar X e eu agendei por isso, qual o problema?”, “o problema é que eu fui acionado e estou a 40 minutos a disposição desta chamada só pra ir até o lugar X, não acredito nisso”, eu falei, “mas isso não é problema meu, mas sim da sua empresa que deveria acionar vocês de outra forma, uma vez que eles já sabiam do trajeto desde o início”. E ele continuou insistindo que eu não deveria ter agendado e eu insistindo que quem sabe disso é a empresa, ou seja, se não fosse uma questão de agendamento bastava a empresa me avisar que eu não poderia usar o serviço. De forma rude ele disse “melhor encerrarmos este assunto e ficarmos quietos…”, senti um claro tom de ameaça em seu jeito, mesmo assim considerei a trégua sensata da parte dele.

Vale destacar que essa discussão foi toda EM TRÂNSITO, COM O CARRO EM MOVIMENTO. E o taxista parecia tão transtornado que errou a entrada pra rodovia que deveríamos pegar. E ele ao invés de fazer um retorno seguro, optou por parar o carro no meio do tráfego intenso, dar uma ré e subir numa praça que separava o caminho que ele pegou da entrada da rodovia, ele inclusive desceu pra tirar algo que impediria o carro de seguir, não sei se um cone, voltou pro carro e subiu no canteiro pra pegar a rodovia assim, de forma ilegal e perigosa. E junto com esse instante esbravejou alguns palavrões. Ele estava fora de si.

Vocês entenderam que ele atravessou uma praça, a grama, pra sair da avenida errada e pegar a rodovia né?

Pois é. Surreal.

Neste momento eu entrei em pânico e gelei, travei, não consegui pensar em nada, e esqueci até como mexer no celular por alguns segundos. Na minha cabeça eu só pensava, “preciso sair daqui, esse cara está transtornado, quebrando regras de trânsito, colocando a vida dele e a minha em risco, numa estrada escura, movimentada, discutindo sobre algo que eu não tenho culpa!!! O que faço meu Deus?”. Eu tentei pensar rápido e fugir dali, mas num risco maior ainda resolvi prosseguir, porque só de pensar em descer naquela rodovia escura e com carros pra lá e pra cá o pânico aumentava. Pânico em cima de pânico. Eu só rezei para que aqueles 2km passassem logo e que o taxista não fizesse nada de ruim comigo.

Agora parando pra pensar eu vejo o quanto fui medrosa, e vocês podem até me julgar pensando da mesma forma, mas tudo aconteceu em fração de um minuto e tudo o que eu pensava era em não irritar mais o cara. Eu juro por Deus que eu pensei que se fizesse algo ele me largaria lá na rodovia ou faria algo pior. Ridícula a sensação de impotência, me senti o pior ser humano de todos… e eu estava simplesmente dentro de um táxi. Surreal. Tive ódio de viver num lugar como esse… Eu tremia enquanto procurava o dinheiro, mas tentava manter a frieza, porque meu maior medo era daquele ser descontrolado dirigindo um carro como taxista.

Foi lamentável o que esse senhor me fez passar, e não contente ao cobrar o valor da corrida puxou o dinheiro da minha mão. Juro que até este momento eu havia decidido não fazer nada, não falar nada, assunto realmente encerrado, mas ao sentir a agressividade dele ainda tão forte, eu simplesmente saí do carro e fechei a porta com toda minha força de pânico, raiva e humilhação que aquele “profissional” do trânsito me sujeitara passar. E ainda ouvi algum xingamento sobre a porta, mas resolvi seguir cega ao meu destino. Me senti humilhada. Tremia de ódio.

E eu estava dentro de um táxi! Surreal. Surreal. Surreal.

Eu recebi esse cidadão com um sorriso no rosto e ele colocou a minha vida em risco por causa de uma insatisfação dele em relação a mim? Sem explicação?

Que mundo é esse? Que as pessoas tratam mal quem não fez nada de mal a elas? Eu senti um ódio gratuito vindo deste cidadão. Uma pessoa que nunca tinha visto na vida…

Sr taxista, minha vontade era de dizer isso pra você: eu não sei o que tem passado que te deixou tão transtornado e frustrado, mas seja o que for não vale arriscar a vida, a saúde, mental inclusive, a troco de nada. A vida é curta, portanto quando alguém sorrir pra você, retribua ao menos com educação. Recentemente um acidente de trânsito, ainda sem explicação, levou meu irmão para sempre. De uma hora pra outra esse cara cheio de vida, de 30 e poucos anos, morreu, porque a vida é assim, feitas de instantes que vem e vão, portanto não desperdice os seus com rancor e mágoas. Sorria mais. E quando encontrar um cliente do qual não queira fazer sua viagem simplesmente diga “olha, deve ter havido um mal entendido e eu não posso te atender, não vale a pena pra mim, essa viagem não pagará minha gasolina”, e o cliente não terá argumentos senão a efetuar a chamada de novo e entrar na fila virtual. Simples assim.

Você me fez perder uma hora do meu precioso dia, hora essa que não voltará, hora essa que precisei pra me acalmar por causa da sua atitude grosseira e arriscada. Somente depois que desci do seu veículo, ou de sua arma engatilhada como meu pai diria, me dei conta do risco que corri quando confiei a MINHA VIDA a um profissional que não tinha a menor condição de guiar um carro.

Finalizaria dizendo, obrigada pelas lições aprendidas:

1. Nunca mais usar o serviço de Rádio Táxi de sua empresa

2. Nunca mais esquecer seu rosto, seu prefixo e a marca do seu carro, assim não pegarei um novo táxi com você

3. A antes de entrar no táxi verificar, fazendo perguntas simples, se o condutor merece levar minha vida, seja por 2 ou 200 km. 

4. Entender que quando meu pai negava o carro ao meu irmão, e minha mãe me passava mil recomendações pra pegar um simples táxi, o que eles de fato queriam dizer era “a vida de vocês é o mais importante pra nós, portanto tomem cuidado onde vocês irão se enfiar”

5. A achar um taxista competente aqui do bairro onde moro (sou nova nas redondezas), de algum ponto seguro, que faça valer a minha opção por não ter um segundo carro em meu orçamento, e usar táxis pras idas a SCS, pro aeroporto, pra Berrini, e inclusive pros 2 km aqui pertinho, pois são viagens recorrentes dentro da minha rotina atual sem carro, por opção.

* optei por não citar aqui no blog a empresa, o prefixo e o modelo do táxi, pois este mesmo texto foi enviado como reclamação à empresa, e até o momento estou dando a chance dos mesmos se retratarem. E meu objetivo em tornar a história pública é apenas alertar meus leitores, em sua grande maioria amigos, que tomem cuidado e saibam se proteger.

E vocês? Acham que o mundo está carente de amor ou não?

“Mais amor, por favor”.

Rosa Meditativa, de Salvador-Dalí, o mestre do surrealismo. Esse era um mestre de verdade.

Rosa Meditativa, de Salvador-Dalí, o mestre do surrealismo. Esse era um mestre de verdade.

Hoje não tem deleite-se!

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18 respostas para O taxista descontrolado e a falta de amor…

  1. Amanda disse:

    Realmente lamentável!!!
    Estamos vivendo em um mundo em que as pessoas não tem respeito, em por si muito menos pelos outros.

    • Tati Ferreira disse:

      Pois é Amanda, acho tudo isso bem triste, pq por mais que eu não seja um exemplo de simpatia e amor, eu sempre recebo as pessoas com um sorriso no rosto e educação ao menos, mas vamos vivendo e aprendendo né não?
      Bjocas.

      • Amanda disse:

        Com certeza, vivendo e aprendendo. Sendo necessário que as pessoas aprendam a usar a educação, que tenho certeza, que lhe foi dada. Assim como nossos pais nos ensinaram. Em casa também não somos exemplos de simpatia pra ninguém, mas educação sempre será usada.
        É triste ver que estamos vivendo em pé de guerra, por qualquer motivo, pelo mais simples que seja. Precisamos de muito mais amor!!!

  2. Luciana disse:

    Lamentavel, Tati! Mais amor urgente!!!

    Engraçado que quando eu me mudei pra Australia e depois pro Canadá, eu vivia com sentimento de culpa me perseguindo nas seguintes situações: 1. dar nota alta pra pagar por coisas miúdas, 2. retornar roupa na loja simplesmente porque não ficou tão bem em mim quando eu experimentei de novo em casa e 3. pegar um taxi pra fazer um trajeto curto (apesar de longo pra ir a pé).

    E hoje eu vejo porque. A culpa nunca foi minha por ter esse sentimento me perseguindo, mas dos prestadores de serviço no Brasil que sempre me fizeram sentir SUPER mal em qualquer uma dessas situações! Não é absurdo? Já viu a cara de bosta que te fazem quando vc tenta pegar por um item de baixo valor com uma nota alta? Aqui eu já chegava pedindo desculpa, mas sempre me olharam com cara de “desculpa por que? vc tá pagando!”.

    O mesmo vale pro serviço de taxi. Durante uns anos eu morei num lugar meio isolado em BH. Era uma ladeira comprida toda vida e nenhum onibus ia lá encima. Todo dia eu subia aquilo à pé, gastava 15 a 20 minutos, mas dia ou outro eu pegava um taxi (tinha um ponto bem no pé da ladeira). Mas era tanta falta de boa vontade pra me levar que eu muitas vezes desistia, mesmo estando exausta – só pra não aguentar o taxista reclamando.

    Entendo perfeitamente o que você passou e sinto muito mesmo! Realmente podia ter acontecido algo pior. Que bom que não aconteceu, mas entendo seu susto!

    Mais amor por favor!!!

    • Tati Ferreira disse:

      Lu, vc disse tudo, TUDOOOO. Eu fiquei com a mesma sensação, que o cara estava ME fazendo um favor, que eu deveria agradecer por andar no carrão de R$ 70 mil dele. Exatamente como vc descreveu. E aí entendi o ódio todo.

      Poxa! Eu pego táxi quando quiser, vou a pé quando quiser, pego busão também quando quiser, pq faço exatamente isso sempre.

      Era só o que me faltava ter que explicar para aquele verme que eu não vou a pé, pq o local fica numa rodovia escura, que não é lugar pra pedestre, e que pegar busão me faria perder 30 minutos, entre esperar no ponto, pegar o dito cujo, descer, andar mais um bocado… era só o que faltava.

      PS: não sei se já morou de aluguel, mas em sua lista eu acrescentaria o ato de pagar o aluguel na imobiliária… pqp eu odiava, o povo nos tratava como se estivessem nos fazendo um favor, de ceder uma casa pra morar… rsrsrs… ridículo demais. E eu nunca atrasei uma droga de um aluguel…

      Esse país tem um quê de provincianismo que me irrita profundamente!

      Humpf! Mais amor, por favor, agora!

  3. Vanessa disse:

    Afff prima, que tenso!!
    Sim, o mundo precisa de muito mais amor e respeito uns com os outros. Não da pra se acostumar com atitudes como esta.
    Se cuida. Bjs

    • Tati Ferreira disse:

      Exato. Respeito+amor, quase um binômio para solucionar os problemas do mundo.
      Já percebeu como estamos vivendo a era dos ataques? Tudo o que dizemos e fazemos as pessoas compreendem como ataque.
      Credo. bjooo

  4. Ckris disse:

    Sim, surreal!!! Cada vez mais as pessoas estão perdendo a noção, o respeito ao próximo…recentemente tb passei por um caso de falta de respeito no trânsito, e eu estava correta, respeitando as leis, com meus impostos pagos!!
    Mas infelizmente esta cd vez pior!!
    Tem que reclamar sim, expor sim, pq quem não tem capacidade de atender, não tem competência, não se estabelece!!!

    • Tati Ferreira disse:

      Parece que não ter respeito virou regra. Percebo a cada dia como geralmente somos recebidos com 7 pedras da mão em situações bastante corriqueiras, como num banco, num ônibus, num supermercado…
      E eu reclamo mesmo, não tenho medo, estou aqui pra mostrar minha insatisfação quando tiver razão.
      Bjocas.

  5. Carla disse:

    Lamentavel Tati, ja passei por situações semelhantes…essas pessoas não valem o tempo que se perde com elas…Brazil com z mesmo), pais de merda.

    • Tati Ferreira disse:

      Não valem mesmo, graças a Deus depois que passou o susto eu até ri da situação, mas no desabafo eu precisava colocar todo o teor de terror, pq em alguns casos a pessoa sentada no táxi poderia não ter tanto sangue frio e poderia ter um surto de pânico, pq isso é grave mesmo.
      Bjocas.

  6. Ariane disse:

    Tati fiquei nervosa só de ler…Me imaginei na sua situação…O mundo que estamos vivendo está todo bagunçado,onde ninguém respeita ninguém,onde ninguém se importa com ninguém,onde um negro é diferente de um branco,onde uma mãe que coloca o seio pra fora pra amamentar o seu filho e é jugada…enfim o que está acontecendo?! Não sei…
    Lamentável não só a sua situação,mas também o mundo que estamos vivendo!!!
    Bjs

  7. Ana disse:

    Bota surreal nisso! Imagino teu nervoso, Tati. Eu teria ficado indignada também. Os valores estão todos trocados…

  8. Pingback: Pequenos deleites de fevereiro | Deleite da Vida

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