Para o mundo que eu quero agarrar ele todinho!

Antes de começar a escrever o texto de hoje eu me perguntei se estaria demonstrando através dos meus textos as fases que atravesso. Cheguei inclusive a me comparar com Picasso.

Não gente, eu não descobri do dia pra noite que minha total incapacidade de desenhar sequer um sol, tenha me transformado numa artista autodidata do dia pra noite, depois de um surto psicótico do qual eu começo a desenhar todas as dores e raivas jogando tintas numa tela ao chão. Aliás, esse seria o Pollock.

Picasso, falando bem porcamente de sua biografia, é um artista reconhecido por suas fases bem claras em seus trabalhos, que provavelmente estavam ligadas aos seus sentimentos. Além de admiradora de seu trabalho, me sinto meio que sua irmã do próximo século, porque exatos 100 anos e menos um dia nos separam.

Brincadeiras à parte, eu fico pensando no pobre do escritor, redator, jornalista, e qualquer outra pessoa que ganhe a vida através das palavras escritas. Como eles fazem quando o mundo cai em suas costas e ainda assim precisam ter textos edificantes ou engraçados ou sem humor negro?

Eu escrevo quando quero no blog, tirando as maratonas malucas que invento, como essa que me enfiei agora, e que pelas coisas da vida atravessa comigo uma fase digna do azul de Picasso

– É irmão Picasso, não tá fácil pra ninguém.

Então, caros leitores, me desculpem se tenho passado pros textos certa melancolia, desesperança, revolta, ódio, desespero, mas podem estar certos que a fase rosa está próxima, porque a guerra que se travou na minha vida está sendo combatida.

E todos os acontecimentos e sentimentos que geram certo desconforto pra mim, são porque  eu queria mesmo que o mundo parasse pra eu agarrar ele todinho.

– Achou que eu diria “para o mundo que eu quero descer”, né?

Mas não, posso ser tudo nessa vida, menos uma desistente. A frase que criei tem a ver com a minha necessidade de tentar controlar tudo, inclusive o incontrolável. E da minha dificuldade em ter fé, quando a turbulência chega, trazendo com ela um furacão daqueles arrasadores sabe?

Eu tenho fé. Quer dizer, eu acho que tenho fé, mas não sei me jogar no desconhecido, eu sofro por não saber o que virá (como se até agora eu soubesse o que viria né não?). Mas confesso, sou uma controladora e acho que tudo se explica em contas matemáticas, lógicas e na realidade extrema. Mas tenho um outro lado que ri desse lado controlador e diz: “não viaja Tati”. E esses lados estão num conflito de dar inveja.

De tanto rezar e me inteirar de mim mesma, de ter uma conversa bem franca com o Cara lá de cima, eu sei qual lado vai ganhar essa guerra, mas não posso mentir que estou morrendo de medo dele.

E pra fechar esse post, que escrevi num rompante bem ao estilo Jackson Pollock, do qual fiz apenas uma revisão, porque não quero tirar a loucura que aqui está, vou deixar uma receita que pra ficar boa é preciso ter paciência, usar os ingredientes certos e esperar o fogo fazer seu papel na panela:

Arroz Carreteiro da Teca*

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Ingredientes: 700 grs de alcatra (pode ser feito com resto de churrasco) – 1 gomo de calabresa – 1 1/2 cebola – 1/2 pimentão verde picado – 5 dentes de alho – cominho, sal e pimenta do reino (a gosto) – 2 xícaras de arroz parboilizado – 1 colher de sopa de manteiga – 2 ovos cozidos e tiras de pimentão (para decorar) – água fervente

Modo de preparo: Se puder, use uma panela de ferro (eu usei panela normal). Pique a alcatra em pedaços pequenos na hora pra manter os sucos da carne. Faça um refogado com o alho picado e depois acrescente a cebola (no óleo). Logo em seguida inclua a carne, mexendo bem e acrescentando, na sequência, o sal, a pimenta e o cominho a gosto (eu coloquei colorau também). Quando a carne estiver com um aspecto de cozida ela irá formar um caldo, nessa hora você acrescenta o pimentão e a calabresa picada em cubos. Deixe cozinhar um pouco, coloque a manteiga e o arroz. Em seguida, coloque a água fervente até cobrir o arroz. Esse é o momento de experimentar e ver se precisa de mais tempero. Deixe cozinhar o arroz (fogo baixo, panela tampada), decore com o ovo cozido e o pimentão em tiras e sirva.

Dica: faça com o arroz parboilizado, porque ele não gruda e é mais seco, ideal pra esse preparo, senão vira uma gororoba danada. Talvez com o arroz integral também dê certo, mas não tente com o arroz agulhinha nem arbóreo.

* Teca é a fofa da mãe da apresentadora Fernanda Lima, ela participou do programa Tempero de Família do GNT com seu genro, o lindo e simpático Rodrigo Hilbert, e juntos fizeram esse arroz maravilhoso. Mais do que a receita foi um programa gostoso de assistir, pra cima, assim como acho que tem que estar o espírito de quem cozinha. Aqui neste link está a receita original (na minha acima eu fracionei pra minha realidade e deu cerca de 6 porções).

Meu pratinho de pedreira.

Meu pratinho de pedreira.

Até sexta com o post 20/24 (tá acabando…)

Deleite-se!

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3 respostas para Para o mundo que eu quero agarrar ele todinho!

  1. Ana disse:

    Somos muito parecidas mesmo. Mas eu tenho aprendido com o tempo a deixar as coisas acontecerem, a aceitar que eu não posso controlar tudo. Tu leu lá no blog, sobre a minha palavra do ano, né? Entrega? Eu tenho pra mim que isso vem com o tempo, Tati. Ainda me estresso um pouco às vezes por ansiedade, mas cada vez menos.

    Esse arroz mistureba aí ficou com uma cara booooooa!!!

  2. Pingback: Dicas da Sonia: Kairós | Deleite da Vida

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