O caderno da Pucca (making off Vancouver)

Nada como uma segunda-feira pra me fazer escrever sobre coisas que me levam pro outro lado do oceano.

É bom impactar um dia tipicamente chato, com algo gostoso de fazer. E aqui vou unir escrever com o ato de lembrar.

Pensando agora na maratona de Vancouver, aquela que me fez escrever 30 posts seguidos sobre a minha incrível experiência de intercâmbio em 2010, eu sinto como se fosse um livro já encerrado. Saboreei enquanto escrevia, me deleitei enquanto as pessoas liam e encerrei quando o mais impactante de tudo já tinha sido passado.

Fiquei vários dias relendo uma ou outra passagem. Com um gostinho doce na boca que só lembranças boas nos fazem vivenciar. Senti orgulho do trabalho e vivi uns dias de nostalgia, afinal aquela meta tinha acabado.

Senti as mesmas sensações de quando encerro um bom livro. Aquela vontade de ainda ficar agarrada com ele, e pescando uma ou outra página que agora já encerrada, parecem ter outro significado. E depois, fim. Guardo o livro na gaveta e pronto.

Em alguns posts, principalmente esse, eu comentei a respeito do caderno da Pucca onde eu anotava TUDO o que gastava, TODOS OS DIAS da viagem. Falei que se tivesse encontrado o caderno eu teria informações exatas ou bem próximas da realidade, a respeito de cada dia.

Passei todos os dias da maratona sem o tal caderno, porque minha mãe não o havia encontrado nas coisas que eu ainda insisto em acumular na casa dela. Até um belo dia que ela resolveu dar uma faxina geral e lá encontrou uma das minhas relíquias de viagem, o caderno da Pucca. Meses depois da maratona.

Carregava pra cima e pra baixo.

Carregava pra cima e pra baixo.

Engraçado que eu recebi o caderno em maio, e achei que quando o visse já sairia correndo pra ver todas as anotações, mas não. Eu deixei guardadinho para um momento somente meu e do caderno.

E não poderia ter tomado decisão melhor. Um dia a noite, no meu quarto, só eu e o caderno, e zilhões de boas lembranças. Me transportei imediatamente pra Vancouver, cenas muito mais claras e coloridas se passaram em minha cabeça. O que provou também que tenho uma excelente memória, pois muita coisa do relato diário batia. Obviamente que as fotos foram minha mola propulsora, não sou tão elefante assim. Mas ainda assim, revivi a experiência de forma diferente. Me vi escrevendo cada uma daquelas linhas, no meu quarto gelado, ao final de todos os dias marcantes que gastei a sola dos meus tênis por aquelas bandas geladas.

Eu não filmei minha própria reação, mas deveria, deve ter sido algo bem próximo daquelas reações de pessoas que guardam uma caixa com objetos importantes para serem abertas muitos anos depois. Como numa cápsula do tempo sabe?

Então a Tati de hoje resolveu confrontar a Tati do passado com algumas constatações dessa cápsula do tempo em forma de caderno:

– Então quer dizer que você deixou anotado nas primeiras folhas todos os dados possíveis e imagináveis caso alguém encontrasse aquele precioso caderno? Ou ainda, que encontrasse você em algum perigo ou dificuldade naquele lugar que você não tinha ideia do que encontraria? Garota experta!!!

– Ah e com tanta anotação você jamais se perderia. Anotou linhas de ônibus e Skytrain, horários dos mesmos, nome dos pontos de descida, diferença de fuso-horário, telefone e email da embaixada, bancos para troca de Travellers Check, seu endereço de casa, da escola, ufa. Muita coisa anotada.

– Uma pena você não ter contado na maratona que visitou a linda biblioteca pública de Vancouver logo no primeiro dia de aula, anotou todos os horários e procedimentos pra fazer uma carteirinha provisória, mas apesar de tudo isso, nunca mais voltou lá.

– Uau Tati, parabéns! Você fez uma lista gigante de “places to visit” e agora revendo ela posso te dizer que cumpriu boa parte. E organizada que é colocou inclusive o dia da visita. Pontos a serem visitados num futuro próximo: Mt Seymour, Fraser River – Surrey, Rocky Mountains (você riscou do caderno, mas sei o quanto deseja conhecer esse lugar), Lions Gate Bridge, Vancouver Art Gallery. E tem uma anotação meio bagunçada e riscada que está assim “Squamish Lil’Wat Cultural Centre Whistler”, você se lembra o motivo dessa anotação? Aposto que não fazia ideia do que era Squamish, até três anos depois conhecer alguém que mora lá né?

– Entre uma e outra anotação uns emails de pessoas, dicas das conversas e passeios, e informações novas quase que diariamente. Tente procurar essas pessoas, acho que terá uma grata surpresa.

Olha o que o medo do desconhecido não faz.

Olha o que o medo do desconhecido não faz.

******************

Deixei um montão de páginas em branco para então começar a epopeia de anotações dia após dia. E para saciar sua curiosidade aqui vão algumas que pareceram inusitadas até pra mim:

  • Gastei $2 alugando o carrinho pra conseguir carregar as malas; o sanduíche horrível do voo Toronto/Vancouver custou $7;
  • Uau, não acredito que paguei $30 no táxi do aeroporto pra casa (parecia tão perto); ah e lembro bem do taxista ter “mordido” o troco;
  • Na minha primeira ida à London Drugs eu gastei a bagatela de $17,74 (e só tinha bobagens do nível Pringles e Kit Kat anotadas. Posso até comer porcaria, mas não sou besta né?);
  • Ao final de todos os dias eu deixava anotado em vermelho o passeio que tinha feito. Que menina fofa eu era né? Que organização primorosa;
  • Até hoje tenho dois pares de meias que comprei na London Drugs. Embora não tenha a mínima possibilidade de usá-las em Goiânia, não vou descartar. São fofinhas e quentinhas. Vai que… ($ 7,83 – dia 01/02)
  • Fui muuuuitas vezes ao Tim Hortons. Melhor nem fazer o somatório dos chocolates quentes e English mufins;
  • A ida pra Victoria que eu perdi custou $75. Ai que vontade de morrer!!!
  • O dia exato da dor de garganta foi 09/02. O dia que fui ao Outlet e comprei a tal vitamina C no Wall Mart. Nesse dia também gastei a bagatela de $41,59 na loja da Tommy e faço questão de te falar tudo o que comprei: duas camisas sociais, uma blusa quente e uma camisetinha infantil. Isso tudo com impostos. Ai ai ai, quando  no Brasil? Quando?
  • Melhor falar baixo, mas a visita pra Whistler fez um pequeno rombo no orçamento da intercambista pobre. Ai ai ai. Mas valeu a pena, afinal quem converte não se diverte. E destaque para um pedaço de bolo de chocolate maravilhoso que comi logo na chegada (onde fizemos um cadastro), e custou apenas $3,15 (viu só, eu anotava até os centavinhos dos gastos);
  • Dia 16/02 eu fui na Dollar Store e sei lá o motivo, mas me fez lembrar um dia que a Bruna estava comigo nessa mesma loja e esqueceu uma sacola cheia de compras novinhas. Ela só lembrou da sacola quando estávamos em outra loja, na Toys R Us. Voltamos correndo igual duas condenadas fugindo da forca, e para nossa surpresa um cliente da Dollar Store tinha visto a sacola abandonada na fila, entregou pra moça do caixa e a mesma se encarregou de guardar. Canadenses são nota mil no quesito honestidade, fala sério;
  • Aliás, até hoje tenho um ou outro artigo que comprei na Dollar Store, inclusive um abridor de garrafas em formato de totem que eu amo; e a quantidade de guloseimas e bugigangas pras crianças que tem lá?!?!? Adorei;
  • Uma anotação de almoço no restaurante grego me fez salivar agora ($8,87 – dia 17/02); e neste mesmo dia eu me acabei num pedaço monstro de torta de blueberry lá em Granville Island (bagatela de $5,01 – cara né?);
  • Vergonha de mim, mas tenho bem umas cinco anotações de almoço  no A&W (tipo um Mc Donald’s de lá), agora começo a entender a quantidade de espinhas que ganhei no intercâmbio;
  • Na ocasião da maratona eu não tinha certeza, mas foi mesmo no dia 19 de fevereiro que comi um delicioso hot dog com chilli e chucrute na Waterfront Station com minhas amigas. E custou apenas $7. Comeria um agora;
  • Caramba, a gôndola pra Grouse Mountain foi cara demais! $47,25;
  • Ah e além do dia mais lindo em Vancouver, 20 de fevereiro foi também dia de compras: GAP, Hollister, La Senza, H&M. Tá vendo Bruna, você me chamava de mão de vaca, mas tive meu momento Becky-Bloom.
Perdoem meus garranchos (minha letra é horrenda mesmo).

Perdoem meus garranchos (minha letra é horrenda mesmo).

Mais do que tantos e tantos dólares gastos, alguns estouros e exageros, e a preocupação em trazer uma simples lembrancinha pra família, o melhor é ver o quanto eu me importei com essa viagem, pra que depois revendo esse caderno, cada uma daquelas linhas ficassem carregadas de lembranças. E isso, definitivamente não tem preço.

Até quarta com o post 19/24

Deleite-se!

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3 respostas para O caderno da Pucca (making off Vancouver)

  1. Ana disse:

    Que legal! Eu costumo anotar tudo também… mas não sou nada organizada! Aliás, tinha até um post pra fazer sobre o tanto de cardeninho que eu tenho e anoto tudo em todos eles… hahahah Sobre a torta cara em Granville Island, TUDO é caro ali! :) Mas vez ou outra vale a pena, né? :)

  2. Luciana disse:

    Tati, eu nem sei se faz mais sentido pra vc eu estar comentando esses posts agora… Talvez sua visão de tudo tenha mudado, talvez grande parte das coisas tenha perdido um pouco da importância. Mas à medida que vou lendo, nao posso deixar de agradecer o carinho nas entrelinhas.

    Obrigada! E amei mais um Post de Vancouver! <3

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