Go Canada Go!

24 de fevereiro de 2010, quarta-feira

Dia 27/30

A essa altura do campeonato Vancouver estava tomada por um bando de loucos. Não, não eram corinthianos, apesar dessa que vos fala ser uma desse bando. Mas de loucos por hockey no gelo, e mais ainda pelo time do Canadá que a cada dia se aproximava mais da grande final olímpica.

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E à medida que o Canadá como um todo avançava no quadro de medalhas, a cidade ficava cada dia mais cheia de apaixonados e patriotas. Apesar de alguns pontos negativos por essa proliferação de torcedores, como o Skytrain cheio e todo e qualquer lugar turístico que naquele momento somava filas e filas quilométricas em suas entradas, era também apaixonante. E era possível puxar assunto em qualquer lugar, com qualquer pessoa usando apenas o assunto olimpíadas. Eu, por exemplo, descobri com uma moça canadense que ela havia comprado os ingressos pra final do hockey um ano antes, pra família toda (4 pessoas), isso sem nem saber se o Canadá passaria. Ela comentou que naquele momento os preços estavam nas alturas. Parece ter feito um bom negócio.

Descobri também que os canadenses são infinitamente mais legais e simpáticos do que os americanos. Mesmo sendo vizinhos, a diferença é brutal. Com a chegada dos “yankees” aos montes pude comparar nitidamente como são arrogantes e metidos a besta. Certa vez no ônibus em downtown havia um grupo insuportável e barulhento de jovens tirando sarro de todo mundo, até então achei que eram canadenses que fugiam à regra, mas bastou começar a reparar nos bonés do Tio Sam pra me certificar de onde vinham os chatos.

E com ônibus e Skytrain cheios eu já me sentia canadense, porque aquelas pessoas sim eram turistas. Eu era apenas uma estudante indo e vindo da escola. E elas queriam curtição. Se vestiam da cabeça aos pés com as roupas de seus países e saíam por aí. Os mais animados eram os russos, acho que já empolgados para Sochi 2014. Mas existiam muitos e muitos canadenses. Cada dia cruzava com uma família vinda de qualquer lugar do Canadá, como Toronto, Calgary, cada um descendo numa estação do Skytrain devido aos lugares que tinham tanto competições, quanto eventos. E conversando com alguns deles, muitos decidiram ir pra Vancouver de última hora, empolgados com o desempenho do país.

E antes que me perguntem, eu não assisti nenhum evento das Olimpíadas que não fosse pela TV. Infelizmente eu deixei pra decidir a viagem já em cima da hora, então os ingressos eram bem caros para as modalidades que eu gostaria de ver, como patinação artística e algum jogo de hockey. Ainda assim, só por estar vivendo aquela atmosfera, valeu muito a pena. Sempre soube que conheceria uma cidade olímpica na minha vida, e amei que tenha sido algo tão fora da minha realidade, porque sinceramente, outra Olimpíada de inverno, eu acho que nunca mais.

E como houveram momentos marcantes durante esses jogos! Lembro bem da patinadora que perdeu a mãe durante as olimpíadas e ainda assim ganhou uma medalha, alguns dias depois. (Pesquisei aqui no Google e isso aconteceu com a canadense Joannie Rochette). Tenho até o jornal aqui comigo deste dia (eu guardei os 5 últimos da minha última semana em Van).

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Lembro-me especialmente de uma aula muito bacana que Alicia preparou. Tínhamos que entrevistar pessoas pelas ruas de Vancouver. E o assunto eram os jogos. Entrevistei uma moça de Londres na fila da loja “The Bay” (ou algo assim) e um Senhor idoso já dentro da loja, que me deu uma super atenção. Essa loja deve ter vendido horrores de artigos olímpicos. Era uma fila gigante quase o dia todo. Conseguir comprar nela significava que a pessoa tinha gasto boas horas por lá ou ter tido uma grande sorte de passar em frente e não ter encontrado fila numa noite fria, como eu consegui!

Dias e dias antes havíamos tentado entrar na loja, mas era impossível. E eu não fico horas numa fila nem a pau. Deixei inclusive de visitar a Vancouver Art Gallery por causa da fila (deixei pra visitar depois e me lasquei com a chegada dos jogos). Então, quando vimos que simplesmente não havia mais fila a gente entrou. Isso não significa que não estava cheia lá dentro, pelo contrário, estava uma loucura. Quanta gente doida por algo do Canadá. Camisetas, camisas, luvas, mascotes, chaveiro, jaqueta, qualquer coisa servia. Eu lembro de ter comprado uma blusa de frio do Canadá (1 em cada 3 canadenses tinham na cidade), eu comprei a vermelha e a Bruna a preta. E um body (assim que chamamos no Brasil) pra nenê de uma amiga, super lindo, com desenho do mascote dos jogos. Super fofo. Eu achei as coisas bem caras nessa loja, então foram apenas algumas lembranças pra não passar em branco.

Quando Alicia viu que tínhamos conseguido comprar a tal blusinha ela endoidou. Queria saber como tínhamos conseguido. Quantas horas tínhamos ficado na fila. O que compramos, etc e tal. E assim combinamos de colocá-las, nós três, no último dia de aula (terça-feira vocês verão a foto).

O bacana de ter ido em Vancouver durante os jogos, é que a Rede Record (emissora brasileira) fez a transmissão no Brasil, então muita gente que me encontrava quando eu havia voltado, me dizia que tinha lembrado de mim ao ver os jogos. E tenho certeza que muitos que nunca haviam ouvido falar de Vancouver, passaram a conhecer a cidade. E a ver que eu não tinha me enfiado num lugar qualquer né?

Torcida comportada.

Torcida comportada.

Nesta quarta-feira, dia 24, foi aniversário da Thalita, aliás nunca vou esquecer dessa Thalita da aula de comunicação. Nem Alicia, que fazia uma confusão danada com nossos nomes, me chamava de Thali e a Thali de Tati, e às vezes me chamava de Tati, pra depois “consertar” por Thali e por aí vai. Uma doida gente. Doida inesquecível. Adoro Alicia e rio com ela até hoje.

Já no Brasil descobrimos o motivo da confusão, eu e Thalita temos o mesmo sobrenome “Ferreira”, então não sei como estava na lista de chamada, porque eu tenho também Silva e a Thalita tem Oliveira, mas foi a explicação mais plausível pra não classificar Alicia como doida.

Por causa do aniversário da Thali ela marcou em um barzinho em Granville, assim também assistiríamos o jogo de hockey. Coitadinha da Bruna, não pôde entrar por ser menor de idade. Pelo o que entendi, os bares em Vancouver não permitem a entrada de menores de idade (por lá a maioridade é a partir dos 19 anos), ou seja, não basta proibir a venda, mas também a entrada. Fiquei com pena dela, mas entrei. Precisava relaxar, afinal esse havia sido o dia da tão temida prova de gramática. Jesus-Maria-José, que prova difícil!!! Caiu absolutamente tudo da gramática estudada, TUDO!

Neste bar tinha uma garçonete que falava português vocês acreditam? A menina morou dois anos no Brasil, se não me engano, e falava melhor que muito brasileiro. Ela quase não tinha sotaque. Fiquei boba. Dizem que português é uma das piores línguas pra se aprender a falar né? Sonhei com o dia de falar inglês sem sotaque “algum”, assim como ela falava português.

Foi gostosa esta noite em Vancouver, segundo meus cálculos o Canadá deve ter passado para as semifinais, porque em minha última noite em Van (sexta-feira) nós acompanhamos a passagem para a grande final (terça-feira eu conto como foi).

Confere o vídeo do final do jogo e um pouquinho de dowtown depois do grande feito! Nada de loucura, fogos, pancadaria, mas um bando de gente batendo palma e dando uns gritos muito comportados:

Chegando em casa eu tive uma visão da oitava maravilha do mundo, um balde de KFC para o jantar. Como aquilo estava bom. E ainda bem que todos já tinham comido e sobrado um montão. Me acabei. E o pior vocês não sabem! O motivo de tanto esbanjamento foi o aniversário do Matthew, mas ninguém me falou nada, só vim a saber na sexta-feira quando ele me convidou pra sua festa de aniversário que seria no sábado. Eles costumam ser frios assim nos aniversários? Se fosse na minha casa minha família já receberia qualquer pessoa falando do acontecimento. Ai ai, mais um choque cultural.

Continua…

PS: se não entender muito bem esse post, comece lendo pelo dia 29/01 ”Realizando um Sonho” e vem comigo pelos próximos dias.
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4 respostas para Go Canada Go!

  1. Bruna disse:

    Eu não lembrava deste dia!
    Foi broxante mesmo chegar na porta e não poder entrar. Mas me rendeu uma noite incrível sozinha! Andei a Grandville street até o final, até que depois de uma ponte Grandville virava uma estrada e achei que era hora de voltar. A Grandville toda é um lugar bem comercial! Mesmo longe de downton tem muitos bares e lojinhas, andei muito muito. Os dias a sós em van sempre renderam sentimentos muito bons, só de lembrar aqui parece que me transporto de volta pra lá.
    É um pecado esse água na boca que você me deixa depois dos seus posts!!

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