Vancouver em três atos

23 de fevereiro de 2010, terça-feira

Dia 26/30 (posso voltar a sentir o coração apertado pelo retorno que se aproxima)

O Pacífico

Para me ajudar a escrever durante esses 30 dias seguidos, além das fotos que me dão um norte, eu fiz uma espécie de brainstorming antes de começar, com o objetivo de que essa “chuva de ideias” me ajudasse a colocar em tópicos tudo o que eu gostaria de contar pra todos. Deixando assim registrada uma parte das coisas mais marcantes que vivi em Vancouver.

São coisas tão pessoais, e às vezes interessantes só pra mim, que eu fico surpresa com os comentários que recebo aqui pelo blog. E feliz também. Se conseguir inspirar ao menos uma pessoa a sair por aí desbravando já fico plenamente satisfeita. Garanto que nunca mais será a mesma pessoa, por isso, só o faça quando estiver plenamente certa.

A minha mudança pessoal começou antes mesmo do intercâmbio. Talvez ele tenha sido apenas o final de um processo, ou o começo. Tudo depende do ponto de vista. E eu acho que tudo o que desejamos de coração acaba acontecendo uma hora ou outra.

Eu sempre tive uma cisma com o Oceano Pacífico. Sonhava ardentemente conhecer “o outro lado do mundo”. Em 2009, vira e mexe no meio de uma confusão de sentimentos e crises, eu dizia que conheceria o Pacífico ano que vem e sempre que pensava assim me acalmava, era uma sensação de que lá eu encontraria algo que estava procurando. Não tinha destino certo, mas apenas essa vontade de conhecer o outro lado, justamente do mar, algo que sempre me fascinou.

E lá estive numa cidade onde a presença do mar se tornava constante. Era engraçado olhar pra ele e imaginar que “logo ali” a frente estaria o Japão, e não mais a África minha referência de Atlântico. Mais engraçado ainda era dar uma olhada no jornal e constatar que passagens pro Hawaii e Japão eram tão baratas partindo de Vancouver.

1Vancouver 174

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A sem comida!

Dia desses ao folhear minha apostila da ILSC eu encontrei uma anotação muito importante que dizia assim: “não esquecer de escrever sobre o dia que fiquei sem comida, 23/02″. Ou seja, mais conhecido como hoje! hahaha.

Agora faz sentido imaginar o motivo de ter ficado tão chateada, eu estava meio pra baixo, lembro bem de ter tirado poucas fotos ali nas redondezas da Joyce Station mesmo. De ter tomado um chocolate quente. Visitado uma igrejinha. De ter ido numa lojinha de bugigangas bem mequetrefes, e não ter levado nada…

DSC01436

… sabe o dia que era melhor ter ficado em casa curtindo um mal humor? Foi esse.

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Comida e mais comida.

No post de ontem eu falei um pouco da família filipina, mas acabei me apegando mais nas comidas né? Novidade pra uma boca nervosa como eu, que come de tudo e quase não tem restrições. A tirar pelo miojo, já mencionado, e pelo jiló que eu odeio.

Em Vancouver eu não contratei a hospedagem com almoço, mas apenas com café da manhã e jantar. Sendo assim eu tinha que me virar pelas ruas de downtown mesmo. Tentar fugir da tentação de comer pizza todos os dias, porque a danada custava apenas um dólar e pouco, e procurar variar pra não enjoar.

Muitas pessoas que vão para lugares distantes acabam optando só por aquilo que elas conhecem, geralmente fast food conhecidos como Mc Donald’s, Subway, Burger King. Porcarias industrializadas. Não vou negar que comi no Mc e no Subway uma única vez, o segundo, apesar de parecer saudável com aquelas saladinhas e tal me dá um certo nojo por causa do fato de ser gelado, fora que o Subway estava sempre cheio e barulhento.

Uma vez por semana mais ou menos eu comia num restaurante brasileiro. Não era um famoso que eu sei que tem por lá, que não conheci, mas um super pequeno de recém-chegados ao Canadá. Acho que tinham duas ou três mesas no máximo e o prato era sempre o mesmo, arroz, feijão e carne moída. Eu sinceramente comia porque me ajudava a lembrar de casa, e sei lá, era engraçado levar os amigos estrangeiros pra experimentar a comida brasileira. Mesmo assim, confesso que achava o lugar bem sem graça.

Por outro lado, tinha um restaurante por quilo, Iraniano ou Persa, não tenho certeza, que servia tanta coisa gostosa e fresca, que era uma delícia. Eles serviam muitas saladas e frutas. Os pratos quentes eram bem simples e com pouca opção, mas também gostosos. Lá tinha uma coisa bacana, se você adivinhasse o peso não precisaria pagar. Eu nunca acertei, mas acreditam que a Bruna um dia ganhou? Ela errou por um grama, mas ainda assim eles a premiaram. Acho que porque não saíamos de lá! :)

Nossa, outra pérola era um restaurante grego. Que comida maravilhosa. Acabava saindo um pouco do orçamento, mas valia a pena, porque aquilo sim era comida saborosa, com marca. Fora o astral que era sempre lá em cima. Estava sempre lotado. Diziam que aos finais de semana o povo tinha que chegar cedo pra conseguir almoçar. Eles trabalhavam numa gritaria que eu não entendia como dava certo e faziam os pratos bem na nossa frente. Eu achava aquele povo com cara grega super bonito. As mesas ficavam bem próximas umas das outras, então certa vez estávamos por lá e um senhor percebeu que éramos brasileiras. Quis puxar papo na hora, pois já havia trabalhado no Brasil e adorou. Super simpático.

Comeria um grego AGORA!

Comeria um grego AGORA!

E obviamente não faltaram momentos hambúrgueres, sendo que o escolhido na grande parte das vezes foi o A&W. Aliás, em algumas partes de downtown esse era o cheiro de Vancouver, de fritura do A&W.

Houveram também muitos Tim Hortons, Starbucks, 7Eleven, mexicano, hot dog na rua, e nenhum japonês, vocês acreditam? Depois vim a descobrir que são excelentes. Fica pra próxima.

Continua…

PS: se não entender muito bem esse post, comece lendo pelo dia 29/01 ”Realizando um Sonho” e vem comigo pelos próximos dias.
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4 respostas para Vancouver em três atos

  1. Bruna disse:

    ai ai ai ai ai, esse post me deu fome dona Tatiane!
    Dia um pouco murcho pra você em Van, né?! Mas acho que tem seu lado bom, não?

    Sabe que até hoje quando falo de Van, falo do A&W? Não sou muito fã de fastfood, mas era tão bom! Talvez eu ache isso só porque é de Vancouver! rs. Tudo lá é melhor, mais lindo, mais gostoso. kkkkkk
    Sou viciada em batata frita, acho que dos 30 dias que fiquei lá, 20 eu comi batata frita do A&W.
    Mas seus mapas me renderam caminhadas tão boas que nem voltei tão gordinha assim quanto deveria depois de muitos fastfoods!

    • Sabe que o lance de ser um dia murcho teve mais a ver com agora menina? Tem uma coisa bem chata acontecendo na minha família e sábado foi um dia muito difícil pra mim. Enfim, o post acabou sofrendo as consequências…

      Ah Bru, tem uma coisa que eu ainda não falei, mas nesta semana eu não aguentava mais comer comida nenhuma de Van. Mesmo assim o A&W deixou saudades. O lanche era bom pra caramba. rsrs

      Bjuuu

      • Bruna disse:

        Poxa Tati, que chato. Melhoras pra você e pra sua família! Espero que fique tudo bem. De verdade! Estou aqui torcendo.
        Beijocas

      • ;) Sei que está! Qlq dia te conto o que houve. De preferência já com boas notícias.
        bjs

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