Vamos a la playa

17 de fevereiro de 2010, quarta-feira

Dia 20/30

Engraçado que à medida que os dias passam (e passaram em 2010) vai dando uma certa melancolia, porque no fundo eu sei que vão acabar. Então esse dia 17 teve um quê de melancolia e o dia estava lindíssimo e ensolarado.

Vancouver6_Day20

A maioria das amigas que fiz estudavam apenas ate às 2h30 e neste dia elas me chamaram pra fazer algo especial e aproveitar o belo dia. Sendo assim, matei a última aula (chega uma hora que o esquema integral fica bem puxado, porque tudo passa muito rápido e a imersão no inglês se torna bastante cansativa. É pouco tempo pra assimilar tanta coisa, mas te garanto que vale muito a pena, apesar do cansaço).

Não me lembro como foi a decisão, mas optamos por conhecer Kitsilano, uma praia próxima de downtown. Lá que fica uma gigante piscina pública que abre no verão.

Aliás, falando em verão, como estou com vontade de visitar Vancouver nessa estação. Dia desses a Ana e a Lu me disseram que é a melhor época para visitar a cidade. E nessa saga de escrever sobre meus dias, vira e mexe eu dou uma coladinha sobre informações quebradas na minha cabeça e sempre me deparo com coisas a fazer no verão. O verão é amado, idolatrado e esperado por todo povo de Vancouver. Disso eu lembro bem enquanto estive lá.

Outra coisa curiosa desse período que passei foi o clima. Apesar do frio, vento gelado e tudo mais, os dias permaneceram boa parte do mês ensolarados, por isso também o problema com neve para as olimpíadas que mencionei ontem. Os canadenses diziam que tinha sido um pegadinha do destino, ou algo assim, para que os turistas se apaixonassem pela cidade, e assim voltassem sempre. Eu caí nessa pegadinha totalmente, porque penso muito em visitar a cidade novamente.

A região da praia de Kitsilano é linda e parece bem residencial, fiquei com uma impressão que é onde moram os descolados (com dinheiro) de Vancouver. É uma área onde se percebe bem as belezas de Vancouver, uma mistura de mar, com os prédios, alguns parques em volta e as montanhas ao fundo. E dá uma bonita vista do Stanley Park – dá pra ter uma boa noção do quão grande e lindo ele é.

Kitsilano Beach

Kitsilano Beach

Amiga dos corvos!

Amiga dos corvos!

Estava uma ventania louca nesta tarde e eu nunca tinha visto tantos corvos juntos. Como eles são barulhentos! Eu adorava, mas fico pensando que aquela sinfonia fúnebre deve incomodar quem acompanha todos os dias, certo?

Parece bobeira, mas eu que nunca havia enfrentado um inverno de verdade, não sabia que as árvores poderiam ser tão charmosas sem suas folhas. É uma imagem tão típica de inverno rigoroso não é mesmo? Aqui no Brasil, por mais frio que esteja, ele não é capaz de deixar árvores peladas. É uma coisa que a gente só se dá conta quando vê ao vivo e a cores.

E esse rigor de estações me deixava muito fascinada em Vancouver, onde você sabe que o inverno será gelado, chuvoso, de árvores sem folhagens e dias muito curtos, pra depois abrir espaço pra primavera que traz com ela as cherry blossons, o sol, mesmo fazendo frio, e menos chuva. Depois a expectativa maior gira em torno do verão, que segundo os vancouverites dura exatos dois meses, e eles se proliferam pela cidade pra curtir a praia, qualquer coisa na rua, porque os dias serão super longos. Então o verão acaba dando espaço pro outono e as famosas maple de folhas vermelhas, anunciando assim um novo inverno. Isso tudo são as percepções que aprendi durante as aulas, mas minha experiência diz respeito a apenas um mês, mês de inverno, com sol e dias que chegaram a fazer 12 graus. Um enorme presente para aquela cidade em festa.

Linda tarde em Kitsilano e seu Oceano Pacífico, porém gelado.

Linda tarde em Kitsilano e seu Oceano Pacífico, porém gelado.

Como qualquer coisa rigorosa, tem seu lado negativo, afinal, eles curtem apenas 2 meses de verão, e outros 10 mais para frio, certo? Mesmo assim, eu acho que cada estação acaba sendo saboreada intensamente, e um dia de sol acaba sendo sempre celebrado.

Como temos abundância de sol no Brasil, pra quem nunca enfrentou pessoalmente o que é um lugar gelado, não acho que a gente valorize tanto assim as estações. Não vejo que no Brasil tenhamos a época certa pra curtir uma única coisa. Se estivermos em julho, em São Paulo, pode ser que façam semanas com calor de 30 graus, dando assim pra curtir uma praia, passear de bike no Ibirapuera, sair de regata ou vestidinho. Assim como um belo janeiro pode nos “presentear” com 15 graus, assim do nada.

Um dia, durante uma aula de comunicação, a gente fazia uma disputa grande entre salas, e aí todo mundo tinha que formar um casal, como se fôssemos casados. Em determinado tempo a gente tinha que combinar gostos, cores favoritas, dia do casamento, nome dos pais,  gosto musical, e tudo mais que você já deve ter visto em disputas similares em reality shows da TV. Meu par era um cara do Japão. Não lembro o nome dele, mas era gente finíssima. Ri demais com ele neste dia e descobri vários gostos parecidos. E olha que coincidência, ele fazia aniversário no mesmo dia que o Le. Éramos quase um casal real mesmo. E entre as conversas falávamos sobre clima, quando ele quis saber como era o inverno no Brasil. Eu disse que num dia muito gelado fazia uns 10 graus em São Paulo. Ele ficou surpreso, achou o máximo e me perguntou se a gente ia então pra praia ou piscina.

– Tá vendo brasileiros como vocês reclamam de barriga cheia no inverno?

Depois que chegamos em Kitsilano a gente só andou e falou aos montes. Quando o vento incomodava muito, a gente parava, sentava em algum banco e conversava mais e mais. Eu sei que fui pra estudar inglês, mas gosto tanto de uma boa prosa, e aprendi tanto com minhas conterrâneas que nessas horas o inglês ficava de lado.

Vancouver7_day20

Tenho quase certeza que foi neste dia que demos uma entrevista sobre os jogos olímpicos, como fãs, para uma emissora alemã, não foi Bruna? Lembra do ataque de riso depois? A gente achando que eles estavam ali só pra tirar sarro dos estrangeiros. E que aparecíamos naqueles programas de pegadinha.

Saindo de Kitsilano seguimos em direção a Granville Island e passamos pelo Vanier Park. Minha sensação é de que ficam bem grudadinhos, mas acho que a área do parque é essa mais verdinha com os corvos. No dia eu achei que tudo era Kitsilano, mas quando cheguei em casa olhei nos mapas pra ver todo o caminho que fizemos e identifiquei esse parque.

Chegando em Granville Island.

Chegando em Granville Island.

Quando eu falei que não achei nada demais em Granville Island acho que foi por que o dia estava encoberto ou a chegada não teve nenhum charme. Bem diferente deste dia que chegamos a pé, avistando todos aqueles barcos atracados numa espécie de marina no False Creek. Fora que chegamos com um pôr do sol tão especial que não tinha como não gostar dali. Nesta altura do campeonato a cidade já estava totalmente transformada por causa dos jogos, e acredito também pelos belos dias que estavam fazendo. O Public Market estava bem cheio e eu matei uma grande vontade, experimentar uma verdadeira torta, a famosa de blueberry… Ave-Maria mãe de Deus que delícia!!! E já viram que não me canso de blueberry né?

Belezinhas do Public Market.

Belezinhas do Public Market.

As garotas estavam dispostas a andar este dia viu! Seguimos dali até Yaletown, tanto eu quanto Bruna havíamos adorado o lugar da nossa última visita com a turma de comunicação, e ficamos de olho nos bares e restaurantes dali. Andamos uma rua de cima abaixo a procura de um lugar especial. Queríamos um lugar pra sentar do lado de fora, uma vez que eles colocam um aquecedor em cada mesa, tipo uma lamparina, e fica muito charmosinho com aquela luz fraquinha. Acabamos ficando onde tinha disponibilidade, um barzinho do lado de dentro mesmo. Devo ter tomado no máximo duas cervejas (preço, lembra?) e comemos o famoso prato típico do Canadá, poutine, uma mistureba de batata , queijo e algum molho, nada demais, mas bem gostosinho até. É tipo uma porção de fritas, porém com mais informação.

E vocês não acreditam que eu e meu instinto investigativo encontramos qual foi o bar que fomos né? E achei mesmo! rsrs. Eu coloquei assim no Google: “place in yaletown vancouver with a pink chandelier”, porque eu tirei justamente a foto do lindo lustre cor de rosa. Ah e o nome do lugar é Society Dining Lounge. Sim, sou uma elefanta.

Lustre cor de rosa ajudando minha memória.

Lustre cor de rosa ajudando minha memória; Yaletown em festa.

Aquela região de Yaletown estava bem animada naquela noite. Lembro de ter visto uns caminhões distribuindo brindes, tocando música e muita gente nas ruas. A cidade fazia muitos eventos por causa dos jogos, a maioria gratuitos e o pessoal ficava andando a procura de algo bacana pra fazer.

E quero terminar esse post com uma frase que acabei de ler na internet da blogueira cubana Yoani Sánchez. Ela tem tudo a ver  com as minhas lembranças desse mês inesquecível: ““Minha mãe que nunca saiu de Cuba me disse: Filha, traga em seus olhos e na sua memória tudo que ver lá fora””. A fonte está aqui.

Foi uma matada de aula que valeu muito a pena. Até hoje meus olhos estão cheios de boas memórias.

Continua…

PS: se não entender muito bem esse post, comece lendo pelo dia 29/01 ”Realizando um Sonho” e vem comigo pelos próximos dias.
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2 respostas para Vamos a la playa

  1. Bruna disse:

    Lembro sim da gente morrendo de rir, nos sentido patéticas depois da tal entrevista. O cara tinha um jeito de sacana folgado!! rsrsrs. Você tinha certeza que era sacanagem!
    Aquele por do sol foi sensacional, lindo demais. Acho que te aluguei uma meia hora só tirando fotos, primeiro pedindo muitas e depois praticamente te obrigando a fazer poses pra eu tirar pra você. kkkkkkkkkk Quando cheguei em casa depois, até me arrependi da minha inconveniencia contínua pra tirar fotos durante aquele mês, no finalzinho eu nem pedia mais, quando a gente chegava em uma lugar e eu falava “MEU DEUS, QUE LINDO” você já me olhava e dizia “Quer que eu tire uma foto?” e eu jamais negava uma oferta dessa.
    E a caminhada pra Yealetown foi grande mesmo, meus pészinhos estavam moídos. E tenho brindezinho do caminhão que você disse aqui, até hoje. Éuma grrafa de alumínio de coca-cola com o simbolo das olimpíadas. Eu não gosto de coca, mas guardei só porque é de Van!
    Tenho também umas fotos minha sua e da Ana no espelho do banheiro desse barzinho rsrs! Fiz vocês duas voltarem pra adolescência né?
    O preço pelo meu copo de 9 gelos e 3 dedos de sprite foi alto, e o tal do poutine também, mas, como você mesma disse, com aquela prosa toda, valeu a pena! Como a gente falaaaaava!

    Beijocas, aguardo o próximo post. Leio todos, viu?! As vezes não da tempo de comentar porque leio rapidinho pelo celular, mas não deixo de ler nenhunzinho!

    • kkkkkkkkkkk a sessão fotos foi demaisssss. Tenho várias aqui ainda, mas depois o povo ia falar que eu era aparecida colocando todas no estilo modelete! hahaha

      Bruuuu, eu tinha esquecido da garrafinha de Coca, mas vc tem razão, foi neste dia, e a minha está em Sampa.

      Ah eu quero essa foto no banheiro do barzinho, não lembro dela.

      Obrigada pela cia. Continue acompanhando, mas infelizmente agora já estamos na reta final. :(

      Bjuuu

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