Miscelânea Canadense

15 de fevereiro de 2010, segunda-feira

Dia 18/30

Desse dia 15 eu tenho poucas lembranças e também poucas fotos, mas aconteceu algo que eu nunca esqueço. Tanan, meu amigo Tailandês, deu pra mim um cartãozinho e um bombom em lembrete ao Valentine’s Day.  Eu acho que ele fez isso pra todos, mas não tenho certeza. Engraçado, porque ali naquele instante que eu percebi o significado da data para os estrangeiros.

Durante as aulas falávamos bastante dos costumes de todas as culturas ali presentes, e sobre o dia dos namorados não foi diferente. Gostaria de lembrar em detalhe sobre todas, mas a única anotação que tenho em minha apostila, fala de um dia especial no Japão onde apenas os rapazes ganham presentes das meninas. Se alguém souber mais sobre isso pode deixar um comentário aqui. Diferente né?

Outra coisa interessante sobre cultura é que todos os coreanos e chineses principalmente, podem escolher nomes diferentes de seus originários em mandarim para facilitar a vida dos estrangeiros. Achava super bonitinho, que sempre que entrava um aluno desses países em alguma aula, a professora sempre perguntava o nome da pessoa, e na sequência depois do Xiaoli, Xiu, Ming, Hua, sempre vinha “and your English name?” Aí eu morria de rir com as escolhas, Sean, Jack, John, Grant, Melanie, Sugar, Sophia. Não ria de tirar sarro, mas achava muito fofo e ficava curiosa pelas escolhas. Imaginando o quanto deve ter sido difícil escolher o próprio nome para todos os amigos estrangeiros lembrarem. Pensava neles pegando os nomes dos filmes americanos dos quais eram muito fãs. Alguns eram mais originais, como a You Young que eu conheci na aula de gramática. E outros pareciam usar seus próprios nomes mesmo, quando a pronúncia era mais fácil de entender, como Boboe (se fala “Bôbê”, bem de leve, não Bóbi, aberto) ou Mei.

Pensando cá com meus botões, se eu tivesse que escolher um nome de fácil pronúncia pra mim, eu escolheria Alice, primeiro porque sou doida com a Alice no País das Maravilhas, segundo por causa da banda Alice in Chains, que adoro, além disso, eles são de Seattle (cidade americana vizinha de Vancouver), e terceiro, porque eles tocaram lá justamente quando eu visitei a cidade. E não tinham mais ingressos pra eu assistir. Pausa para chorar.

Aliás, eu tenho um nome de difícil pronúncia! Tá rindo da minha cara e dizendo que não? Que to doida? Peça para qualquer gringo dizer Tati ou Tatiane. Eles se confundem todo. Isso porque eles não conseguem reproduzir o som “tch”. Então, ao invés de Tatchi, eles dizem Tati com o t entre os dentes, igual os nordestinos falam o “d” e “ t”. E falam de um jeito bem rapidinho. É engraçado sabe? E o mais engraçado ainda era eu me apresentando como eles falam. Tudo isso para não virar um rolo pra explicar e ter que soletrar.

A internet diz que meu nome, na verdade Tatiana, ficou mais conhecido em russo e expliquei isso pra minha família no Canadá, então sempre que aparecia uma Tatjana (ou algo assim) na TV, eles ficavam orgulhosos e mostrando que tinham entendido que meu nome saiu daquela origem.

1Vancouver 717

E aproveitando o gancho que estou falando da família, eu já comentei que passava um frio lascado dentro de casa né? Então, os queridos Filipinos pareciam não sentir frio, ou simplesmente queriam economizar energia elétrica, porque nunca ligavam o aquecimento central. Sei lá eu como funcionava o trem, só sei que no meu quarto tinha aquele ferro que se esquentar deixa tudo quentinho, mas que nada. Continuava passando frio.

Depois de alguns dias eu vi que eles não eram tão fortes assim pra aguentar o frio, mas tinham, cada um em seu quarto, o próprio aquecedor. Ahã! Mas e eu? A pobre pessoa de terras tropicais que ficava dentro de casa com touca, luvas e um montão de roupa? E que se cobria com uma super manta na tentativa de estudar sentada na mesa? Onde ela fica nessa história?

Um dia pela manhã eu senti que estava com a garganta arranhando. Vou te dizer que fiquei bem preocupada. Eu levei uma bolsinha cheia de remédios comuns, para dor de cabeça, enjoo, resfriado. Enfim, um pequeno arsenal seguindo a dica da Experimento, uma vez que fora do Brasil não se pode comprar remédio sem receita de jeito nenhum. Agora eu te pergunto, por que diabos fui esquecer um anti-inflamatório? Um simples Cataflam poderia ajudar nesse arranhadinho. Meu medo era piorar, necessitando assim de antibiótico. Aí não tive escolha, falei com Romy para que providenciasse um aquecedor, pois esse pequeno resfriado tinha explicação, o frio. Ele disse que iria ver se achava “a small heater”. Medo. Small? Meu frio era big!

Quase todas as ruas da casa tinham essa frente.

Quase todas as ruas da casa tinham essa frente.

No dia do resfriado fomos explorar um Outlet meio longe de Vancouver. Lembro que descemos numa estação do Skytrain e ainda pegamos um ônibus. A Lori disse que devia ser o Outlet de New Westminster – não cheguei a ver o nome da cidade, mas não tinha mais cara de Vancouver mesmo.

Dizem que bom mesmo é fazer compras nos Estados Unidos. Então, se eu já achei bom pra caramba no Canadá imagina se tivesse atravessado a fronteira? Ia pirar né? Lembro que comprei camisas da Tommy Hilfiger por CAD$ 7,99. Uma malha excelente por CAD$ 40,00 (não era promoção). Eu comprei apenas coisas necessárias – o caderninho da Pucca não permitiu extrapolar. E as outras lojas eu apenas visitei, mas vou te dizer que não tenho paciência pra essas lojas gigantes, tipo galpões, morro de preguiça. Fui mesmo para conhecer, ver como era. E também estávamos com uma menina que não via a hora de chegar em casa pra ligar pro namorado porque era aniversário da mãe dele… sem comentários.

Neste dia eu dei uma chegadinha na farmácia, acho que do Wal Mart do Outlet. Caramba, quanta coisa. E eu procurava, procurava, procurava a vitamina C e nada. Fui perguntar e a balconista me disse algo como, aí mesmo onde você está. E eu, onde? Aí. Onde? Eu achei que não sabia dizer vitamina C em inglês. A questão é que as embalagens eram tão grandes que eu achei que fossem outra coisa. Estava acostumada com aquelas que mais pareciam um pacotinho de chiclete do que aquelas canadenses que mais pareciam um pote de Nescau. Comprei um vasilhame de Vitamina C. Queria ver essa garganta arranhar de novo.

Chegando em casa, Romy me entregou o tão sonhado aquecedor…

… pausa para chorar.

Só pra constar: eu calço 37.

Só pra constar: eu calço 37.

Quase ri na cara dele. O aquecedor não era small. Era tiny. Minúsculo. Nunca que aquele negócio faria efeito, eu pensei. Desanimei, mas agradeci. Ele me explicou o lance da numeração, pra não deixar no máximo senão iria ressecar muito o ar e me falou também pra tentar não dormir com ele a noite toda ligado por causa do barulho. Sei, sei. Barulho = economizar energia.

Deixei o trocinho ligado e fui jantar. Quando subi, meu amigo, vocês não têm noção do deserto do Saara que se encontrava meu quarto!!! Yay!!! Frio nunca mais. Amei demais o meu tiny heater. Foi meu companheiro de estudos dali por diante. E nem precisava deixar ele ligado a noite toda. Bastava um pouco antes de dormir, esperar o nariz ficar quente, e pronto já podia dormir.

Eu fico brincando da família ser mão de vaca, mas eu os entendo sabe? Dizem que o custo de vida de Vancouver é altíssimo e apesar da casa ser enorme, toda bonitinha, com tudo ajeitado, com piano, três pavimentos, de terem filhos estudando em escola particular e tal, eles não eram ricos. Longe disso. E um dia Romy compartilhou comigo uma preocupação sua, ele disse que quando comprou sua casa ela custou um valor X, infinitamente mais baixo que os 500 mil dólares que ela era avaliada em 2010. Comentou que casas ali da redondeza mesmo, passavam fácil desse valor inclusive. Como os filhos fariam para terem suas próprias casas quando chegasse a vez deles? Com um valor tão alto de imóvel?

1Vancouver 718

Continua…

PS: Neste dia 15, Alicia estava alucinada pela primeira medalha de um canadense nos Jogos de Vancouver (saiu dia 14). Fui dar uma coladinha no Google pra pegar o nome do rapaz: Alexandre Bilodeau. Lembro bem da Samy, que dias antes tinha dito que o Canadá não ganhava nada nos jogos, toda feliz.

PS2: se não entender muito bem esse post, comece lendo pelo dia 29/01 ”Realizando um Sonho” e vem comigo pelos próximos dias.
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3 respostas para Miscelânea Canadense

  1. Luciana disse:

    Tati, achei sacanagem vc ter que chegar a pedir o aquecedor, uma vez que todo mundo tinha o seu. Eu passei barbaridades na minha homestay na NZ, mas a minha hostmother era MEAN, muito má mesmo. Sofri com ela. Um dia te conto as coisas que passei, por isso acho que apesar desse detalhe vc teve sorte com sua família.

    A parte mais cara de manter uma casa aquecida é o gás. Eletricidade ate que nao é tao caro. Por isso tambem desligamos o aquecedor central à noite (que é à gás) e ligamos os tiny ones nos quartos. Eles são pequenos, baratos e super potentes, tambem fico impressionada!

    :)

    • Nossa Lu fiquei curiosa sobre sua história na NZ. Conte num estilo tragicomédia pra gente dar muita risada. Depois que passa podemos rir né?

      Eu ainda estou planejando falar da minha família mais em detalhes comparando com outras, eu tive sorte mesmo.

      Menina, nem pensei nesse detalhe de que o aquecimento central é a gás! Então tá explicado pq nunca ligavam. :)

      Bjs

  2. Pingback: Pilipinas X Bancouber | Deleite da Vida

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