Whistler… awesome

13 de fevereiro de 2010, sábado

Dia 16/30

Uma expressão que eu nunca havia reparado, mas escutava a todo momento em Vancouver era “awesome“, algo como “da hora” para os paulistanos ou “massa” para os brasilienses ou ainda “trem bom” para os mineiros. Ou seja, algo realmente bacana. E esse dia foi assim, awesome.

Provavelmente não dormi direito a noite, tentando evitar que acontecesse a “Tragedia em Victoria” de novo, só que agora em Whistler (visita obrigatória pra quem vai pra costa oeste do Canadá).

Na manhã deste sábado estava totalmente escuro quando saí de casa e o ponto de encontro com o ônibus da excursão, senão me engano era a estação Nanaimo do Skytrain. Procurei os horários dos ônibus que me levariam ate lá no site da Translink, mas para minha surpresa os horários eram ruins ou não haveria ônibus tão cedo. Olhei no mapa da região que eu morava e era relativamente perto. Acho que levaria uns 30 minutos andando. Sendo assim, decidi ir a pé.

Vocês não têm noção da escuridão que me aguardava neste dia. E o deserto então? Não tinha um ser vivo fazendo aquilo, caminhar pelas ruas, naquele horário, o que aumentava meu pânico de cruzar com alguém na rua, levaria um puta susto. Eu jamais faria isso em qualquer outra cidade do Brasil. Acho que provavelmente do resto do planeta. E mesmo Vancouver sendo segura e pacata me deu altos frios na barriga. Fui rezando o trajeto todo. Quando tinha que caminhar entre ruazinhas eu quase desistia, preferia que fosse tudo avenida, que vez ou outra passava um carro. Se um louco aparecesse eu me jogava na frente de um carro gritando help! Mas gracas a Deus cheguei sã e salva.

Já tinha bastante gente no ônibus, a Ana inclusive, uma amiga que iria também, mas cadê a Bruna? No dia anterior, como quem pressentisse algo, ela me implorou que esperássemos por ela, acontecesse o que acontecesse. Ela morava mais longe do que eu, senão me engano em Burnaby e distante de alguma estação do Skytrain. Esperei, como todos, e nada da Bruna. O guia começou a ficar impaciente e a fazer a chamada. Faltavam alguns, mas de tempos em tempos iam chegando. E nada da Bruna. Quando só faltava ela eu fui falar com o guia pra que ele esperasse mais um pouco. Subi até a estação e esperei alguns trens passarem na esperança dela chegar. Mas nada da Bruna. Voltei ao ônibus e reforcei pra ele que a Bruna era menor de idade, e que ela perdida por aí era perigoso. Então ele chamou a atenção de todos no ônibus e perguntou se todos concordavam em esperar mais 5 minutos para partir. Todos concordaram. E quase no limite desse tempo surge a Bruna, toda esbaforida, correndo, tensa, quase chorando. Parece que houve algum mal entendido com sua host family e eles não haviam se preparado para levá-la. Quando ela entrou no ônibus  tremendo e chorando, todo mundo ficou compadecido por ela. Ganhou vários simpatizantes naquele momento e foi um alívio ter a compreensão de todos.

Ufa! Chega de tensão por hoje!!! Vamos nos divertir!!!

Lago lindo na ida para Whistler.

Só a viagem de ida já vale a pena.

O trajeto até Whistler é espetacular. E percebemos que até ali, as montanhas que circundam Vancouver pareciam únicas, mas à medida que vamos subindo, subindo rumo ao norte de BC, mais e mais montanhas aparecem. E quando já estamos bem próximos de Whistler as montanhas imponentes e cobertas de gelo, de baixo acima, tiraram meu fôlego. Nunca tinha visto algo tão lindo. Nessa hora a palavra gorgeous, se encaixa com perfeição. Enquanto o ônibus ia circulando por elas, minha vontade era descer ali mesmo pra contemplar aquela maravilha da natureza. Nunca vou esquecer desse instante. Nunca.

A vila de Whistler estava toda enfeitada, afinal os jogos olímpicos haviam começado no dia anterior, e a cidade também fazia parte das competições. A gente sentia o clima de todos animados querendo ver o Canadá se dando bem nas diversas modalidades que seriam competidas por lá.

Vancouver_Day16

Não era nossa intenção esquiar, mas tínhamos que decidir rápido, uma vez que a luz do dia acaba rápido e lá poderia nevar com o passar das horas. E a maior medrosa do mundo que aqui vos fala estava dentro. Demorou! Vamos esquiar!

Tinha uma mega fila pra comprar os ingressos pra subir as montanhas, seja para esquiar, seja para passear lá por cima e apreciar a vista. Considerando a viagem, mais algumas burocracias na chegada em Whistler, parada pra tomar algo quente e essa fila, já era quase 11 horas da manhã. Depois ainda alugamos as roupas e equipamentos, mas não sem antes muita bagunça na loja, e bons estragos no cartão de crédito (gastos não previstos para essa estudante pobre).

E a tristeza por deixar os tênis de lado e ter que colocar aquelas botas ultra pesadas que eu não conseguia nem fechar?

Vai meninas! Força!!!

Vai meninas! Força!!!

Compramos os ingressos com a instrutora inclusa. E foi o melhor dinheiro gasto. Ela deu instruções e dicas preciosas e tirou qualquer medo e receio que poderíamos ter. Foi ensinando passo a passo e nós fomos pegando. Que sensação fantástica que é descer aqueles pedacinhos de descida da montanha!!! Tomei alguns tombos. Suei mais do que em Goiânia debaixo daquelas roupas quentes, mas me diverti como nunca. Fora que a visão da montanha assim tão perto e toda branquinha, com aqueles pinheiros lindos e verdinhos fazem a gente nunca mais querer ir embora.

Vancouver3_Day16

Vancouver8_Day16

Numa das subidas pra descer esquiando, Linda pegou uma boa quantidade de gelo e fez um lindo boneco de neve. Maior barato. Awesome. E lá no mesmo local tinha um lindo Inukshuk de gelo pro povo tirar foto.

1Vancouver 582

Garotas radicais!

Garotas radicais!

Acho que ficamos esquiando por umas 3/4 horas quando tudo começou a ficar branco e encoberto e de repente, nevou. Dia perfeito seria aquele. Linda, a instrutora nos parabenizou e disse que com mais dias a gente evoluiria muito mais. Deu uma dica boa dizendo que se fôssemos esquiar em qualquer outro lugar, que poderíamos começar de onde paramos, algo como nível dois e meio. Foi embora e nos deixou lá curtindo uma farra na neve. Fizemos snow angel, tacamos neve uma na outra, coloquei um punhado na boca, enfim, a farra das meninas. Sabe que a esperta aqui nunca havia se deparado com o fato de que neve além de gelar, molha pra caramba. E sem o capuz do casaco eu fiquei com a cabeça ensopada.

Vancouver7_Day16

Vancouver6_Day16

Vancouver5_Day16

Esse momento “está nevando” foi algo inexplicável pra mim. Algo que para alguns seria o mesmo que dizer “está chovendo”, para mim foi um marco. Algo que aos 28 anos eu nunca havia visto na vida. E isso não é pouco. Aqueles floquinhos gelados caindo em mim, fizeram eu me sentir em um filme, mas com a diferença de que era tudo real.

E o que é aquela volta de gôndola? Vista lindaaaaa e ela é toda transparente, dando pra ver tudo e sentir um medinho de cair la embaixo. Adorei.

Putz eu achei que os momentos de tensão haviam acabado, mas que nada. Nessa farra da neve e de querer fotografar tudo eu molhei demais minha câmera e a danada não queria mais funcionar direito. Vixi.

Vancouver2_Day16

Já de volta na vila de Whistler, quase anoitecendo, a gente passeou, visitou as lojinhas de roupas lindas e caras e jantamos na Old Spaguetti Factory, as meninas adoraram. Ali percebemos o quanto estávamos cansadas e mortas de fome. O dia de esqui deixou as atletas mortas. Aproveitamos pra ver umas competições pela TV e torcer muito pelo Canadá. É incrível como o clima da galera contagia. E estando lá tão pertinho, aumentava mais a sensação de esportes de inverno. E vou te falar uma coisa, enfrentar zero grau é cruel do lado de fora. Nessa hora senti saudade do clima “warm” de Vancouver.

Quando estávamos indo embora a vontade de voltar era grande. Infelizmente não deu tempo de fazer o Peak2Peak na Whistler Blackcomb e fiquei com gostinho de quero mais. Cheguei super tarde em casa e ainda fui tentar salvar minha câmera fotográfica secando-a com o secador de cabelo.

Continua…

PS: se não entender muito bem esse post, comece lendo pelo dia 29/01 ”Realizando um Sonho” e vem comigo pelos próximos dias.

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9 respostas para Whistler… awesome

  1. Elaine disse:

    Nossa Tati deve ter sido uma experiência inesquecível! Que bom que resolveu escrever pra compartilhar esses momentos com outras pessoas. E diga-se de passagem você escreve muito bem….tem certeza que não é escritora…. bjus

    • Elaine, foi totalmente inesquecível. Tanto que 3 anos depois e eu lembro em detalhes dos momentos mais marcantes.
      Fico feliz que esteja gostando da saga, pois é bem isso que vc disse, “compartilhar momentos com outras pessoas”, de repente até incentivar e animar alguém a encarar as mesmas coisas né?
      Obrigada pelo elogio. Não vou te esconder que meu sonho é virar escritora, mas sei que tenho um longo caminho a percorrer e ainda muito o que aprender.
      Bjo grande.

  2. Luciana disse:

    Que orgulho de vc!!! Conheço gente que mora aqui há anos e nunca chegou a fazer um curso básico de ski. Vc, com uma visita bate e volta fez! Legal de mais sua animação!!! Eu, qdo fiz achei difícil e caí muitas vezes. E meu instrutor era meio ranzinza. Hehe.

    Beijos!

    • Nossa, sinceramente foi o melhor dinheiro gasto, pq assim, eu sou mega medrosa, então eu sei que a insegurança iria bater, eu ficaria apenas caída na neve do que de pé e ia odiar esquiar. Com a aulinha foi tudo diferente.
      Nossa, a Linda era uma linda! rsrsrs. Sério, gente finíssima, a aula já estava no fim e ela queria nos ensinar a fazer curva, por isso que paramos no nível 2,5, não deu tempo de ter tanto sucesso! Mas quase chegamos lá.

      Esse dia foi demais, acho que consegui passar a empolgação né? rsrs
      Bjuuu

    • Ana disse:

      Verdade! Eu so fui esquiar com 5 anos de Canada, no ano passado, imagina! E, como voce, Tati, tambem achamos o melhor dinheiro gasto com a aula. Eu acho que uma experiencia dessa voce nao pode perder, mesmo sendo caro e tals… ja ta na chuva, tem que se molhar, ne nao? Ainda mais quando falamos de Vancouver. :)

      • E não é Ana?? Em Vancouver a gente tá sempre na chuva! hahaha
        Agora fiquei surpresa. Pra gente que tem cabeça de turista pensa que quem mora na cidade sai explorando tudo de uma vez né? Mas que bom que já foi esquiar. Menina, que sensação boa! Bjs.

  3. Bruna disse:

    Ahhhh que dia INCRÍVEL!!!
    Começou muito mais trágico do que eu poderia imaginar, rsrs. Com certeza foi a choradeira mais sincera e doída de Vancouver. E graças a você, não perdi o passeio. Nunca fui tão grata a um ato de bondade como o seu, Tati.
    Eu não sei se você se lembra, mas no momento em que eu desci na estação eu não vi o ônibus da escola, então sentei nas escadas e comecei a chorar sem parar, foi a maior sensação de abandono que já tive, acho que pela primeira vez, eu tinha me sentido completamente só em Vancouver… Até que um anjinho me mandou olhar pro outro lado, e quando eu vi um ônibus escolar saí correndo!!! Foi uma transformação da maior tristeza do mundo, para a maior felicidade do mundo em questão de segundos. Cheguei na pota, dei uma batidinha e o John perguntou “Are you Bruna??” e respondi o yes mais aliviado da minha vida inteira. Entrei no ônibus, e nem conseguia parar de chorar. Mas, desta fez, um choro muito muito feliz, de que eu tinha conseguido. Fora o calor que eu passei com aquele casaco de pele branco, que me fazia parecer um urso polar!! Oh my Gosh, que vergonha de mim!

    Apesar de tudo, Whistler foi uns dos dias mais marcantes pra mim. Aquela neve fantástica, aquela paisagem linda, dava uma alegria tão boa de viver que nada mais importava. Tanto que como você mesma disse, até da fome e do cansaço nós tínhamos esquecido! Ô coisa boa!
    Daria tudo pra voltar naquele dia. Foi hilário a gente na loja tentando se vestir, eu colocando toda a força do mundo pra fechar a sua bota, eu ria sem parar, tinha vontade de fazer xixi de tanto rir, foi aí que você viu que precisava registrar esse momento e tirou aquela foto ali em cima!
    A Linda foi demais também, foi tão gostosa a sensação que ela me proporcionou de pensar “cara, eu sei esquiar, eu to esquiando!!!”… E depois de muita ralação no esporte, só sobrou tempo pra virar criança outra vez e nos acabar naquela neve imensa e deliciosa!
    Aí, to com o olho cheio de água aqui, quero voltar!!!!!!!!!!!!!!!!!! :(

    ps: Não foi só a sua câmera que não quis mais funcionar, a minha caiu dentro de uma bolinha de neve.. Mas, o que aqueles aquecedores de quarto fantásticos não fazem né?! A coitadinha foi resistente! rsrsrs

  4. Pingback: O amor está no ar… | Deleite da Vida

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