Esqueceram de mim!

11 de fevereiro de 2010, quinta-feira

Dia 14/30

Os dias que passei em Vancouver foram uma boa forma de me desligar praticamente de tudo, focando apenas nas coisas que estava vivendo naquele momento, então como eu não tinha notebook na época e o meu celular não funcionava lá, foi bem fácil cumprir esse objetivo. Porém, algumas vezes à noite eu sentia muita falta de ter um contato mais próximo da família no Brasil. Acho, que por mais que quisesse me desligar um pouco, não faria mais uma viagem longa dessa sem pelo menos um notebook em mãos.

Meu quarto e o cantinho dos estudos.

Meu quarto e o cantinho dos estudos.

Na época eu não tinha noção, mas sempre que comento da viagem com minha mãe, ela diz que foram muitas as noites de aperto no coração. Enquanto eu estava lá ela nunca demonstrou qualquer preocupação ou vontade de que eu voltasse logo, procurava me incentivar a vivenciar tudo ao máximo e curtir, mas no fundo ela ficava preocupada. Era a filha dela vivendo sabe-se lá como, sabe-se lá com quem, num país gelado, convivendo com situações nunca imaginadas, numa língua diferente. Mesmo não sendo mãe ainda, acho que entendo um pouco essa angústia dela.

Sobre esse dia 11 eu não tenho qualquer anotação, mas apenas uma foto de guloseimas, que posso te afirmar terem sido compradas na London Drugs da Granville. Sinceramente eu acho que pelo menos umas 3 vezes na semana dava uma chegadinha lá. O resultado foram espinhas inacreditáveis no meu rosto. Eu não conseguia resistir aos preços das besteiras como Pringles e Kit Kat. Será que andava carente?

Irresistíveis.

Irresistíveis.

Pois é galera, por mais descolada que a gente seja, desencanada e queira curtir ao máximo todas as experiências, a verdade é que todo intercambista é extremamente carente em dado momento da saga. Eu pelo menos penso, que toda experiência maravilhosa e inesquecível em nossa vida, fica melhor ainda se compartilhada com quem a gente ama.

E foi num dia totalmente carente, cansada, nostálgica… que esqueceram meu jantar. E eu lembro bem que estava morta de fome, tanto que afirmo com absoluta certeza que a ocasião do esquecimento não foi esse dia 11, senão eu teria várias guloseimas pra enganar. A foto não nega.

O meu host father cozinhava muito bem e fazia umas comidas deliciosas. Então eu esperava a hora do jantar ansiosamente e cheia de fome. Quando eu chegava cedo e já subia pro meu quarto, logo que o jantar ficava pronto ele dava uma batidinha lá anunciando o “dinner time” todo orgulhoso. Masss teve um belo dia, quer dizer, uma bela noite que eu cheguei morta de fome, a casa estava num silêncio daqueles, eu subi e comecei a estudar, mas eu não estava legal sabe? E aquele silêncio, depois de algumas horas de espera começou a me incomodar. Cadê o cheiro de comida? O barulho das panelas? A chamada mágica “dinner time Tati“? Cadê a esperança? Ah meus amigos, aquela certeza que não teria jantar me deixou arrasada.

E não tinha ninguém pra eu perguntar, putz grilo cadê meu jantar?!?! E na boa? Mesmo que tivesse alguém lá e eu tivesse pago pelo jantar, eu acho que teria vergonha de perguntar. Sei lá. Eu estava chata demais aquele dia pra raciocinar direito.

O fato é que comecei a chorar. Vocês acreditam nisso? Chorar por causa de um jantar Tatiane?!?!? Chorei tanto que fiquei com o rosto inchado. Me senti largada, abandonada, blah, blah, blah. E depois de muito chorar, de fazer um dramalhão mexicano no meu quarto, e de muito o estômago roncar, eu limpei o rosto, desci as escadas e fiz um lanche de bagel com geleia de blueberry. Eu pensava, pqp eu só vou comer geleia de blueberry nessa casa?!?!? Não aguento mais bagel! Ahhh fui abandonada. Ninguém gosta de mim! Odeio essa cidade, essa família, quero ir embora!!!

Ah gente, como fui ridículaaaaa. Tô morrendo de rir de me ver naquela situação. Certeza que estava de TPM. Onde já se viu isso numa mulher de 28 anos?!?!

Bom, pra fechar a noite drástica, quando eu já estava calma e sem o rosto vermelho, Romy bateu na minha porta. Nossa, eu gelei pensando que tinha acontecido algo e eu no meu surto nem pra investigar. A verdade é que ele estava muito, mas muito sem graça coitado. Me pediu milhares de desculpas, disse que tinha chegado do trabalho e pegou no sono. Perdeu totalmente a hora. Perguntou se eu já tinha comido algo ou se queria que ele fizesse. Eu disse que já tinha comido um pão e que ele não precisava se preocupar. Fui sincera, afinal o surto de bobeira já tinha passado e eu já tinha perdoado aquele ser. E desistido de ir embora da cidade.

Fiquei com pena do coitado, mas dando graças a Deus por ele não ter me visto no momento do surto. Ficaria bem sem graça e com certeza não conseguiria explicar uma palavra sem chorar.

Não era hora ainda de sair desta casa.

Não era hora ainda de sair desta casa.

Continua…

PS: se não entender muito bem esse post, comece lendo pelo dia 29/01 “Realizando um Sonho” e vem comigo pelos próximos dias.

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5 respostas para Esqueceram de mim!

  1. Bruna disse:

    Me lembro de você contar isso para todos na sala no da seguinte, com a maior carinha de decepcionada, daquele jeito tipo “justo comgio foi acontecer isso?” rsrs..
    Engraçado como coisas que foram tão intensamente tristes em algum dia dessa viagem, hoje são tão bobas perto de tudo tão maravilhoso que aconteceu, não é?
    Mas, eu não sei se foi só eu, mas parecia que Vancouver deixava tudo 10x mais intenso.
    Seja o bom ou ruim… você não acha?
    Bom, o importante é que passou, e o fato de você não ter jantado não deixou sua experiência nadica de nada pior, pelo contrário, só proporcionou uma história pra ser contada!

    • Ai Bruna, quando eu lembro agora eu morro de rir e não entendo pq fiquei tão decepcionada… mas concordo com isso que vc falou, parece que tudo naqueles dias eram mais intensos. E NÃO ME ARREPENDO DE NADICA DE NADA! RSRS.
      bjuuu

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