Enlouquecendo com a gramática!

10 de fevereiro de 2010, quarta-feira

Dia 13/30

Há alguns anos eu fazia terapia, e num belo dia eu comentei com a terapeuta que havia dado fim em todos os meus diários de adolescência. Não sem antes dar uma lida em boa parte deles, mas o fato é que joguei todos fora. Ela não acreditou, disse que eu deveria ter guardado, afinal eram minhas histórias, meu passado. Pensando agora, eu acho que ela tinha toda razão, e mais, eu acho que deveria ter feito um diário enquanto estava em Vancouver. Eu cheguei até a comprar um caderno para este fim, mas não escrevi um único dia. Seria bacana rever em detalhes o que fiz e o que senti durante todos aqueles dias.

A verdade é que vira e mexe eu me lembro de muitas coisas, as lembranças vêm separadas, do nada. Às vezes estou fazendo algo e aquela coisa me leva pra lá, então, tendo ou não diários são memórias que ficarão pra sempre. Agora mesmo, começando a escrever esse post eu estava folheando a minha pasta da ILSC em busca de inspiração e só de dar uma lidinha nos exercícios comecei a rir sozinha de algumas situações, exercícios e micos durante as aulas.

Essa pastinha da ILSC rodou viu! Foto do Tanan (dia que fomos no MOA).

Essa pastinha da ILSC rodou viu! Foto do Tanan (dia que fomos no MOA).

E pensando em tudo o que já contei aqui, eu falei bastante da Alicia né? Professora das aulas de comunicação. Então hoje quero falar um pouco da professora (Betty) e das aulas de gramática. Eram aulas mais sistemáticas, com muitos exercícios, muito homework, muitas dúvidas, muita trapalhada e confusão de verbo, phrasal verb, artigos, e tudo aí que você um dia se atrapalhou ao estudar inglês.

A primeira semana de gramática foi super difícil pra mim, porque a turma já tinha começado uns dias antes deu ingressar nela, e eu teria que recuperar os dias perdidos para as provas. Eram testes toda semana e as matérias se acumulavam. E agora você pensa  numa pessoa que não estudava inglês há mais de 3 anos sentada numa aula de gramática em inglês. Quase fiquei doida. Era a aula que mais me deixava tensa, porque eu fazia questão de ir bem! Poxa gente, era meu suado dinheirinho aplicado naquilo tudo né?

Quase toda a turma que estudava nessa sala tinha algum objetivo específico, os asiáticos precisavam da gramática pra aprender inglês, lembra a história dos artigos né? Os brasileiros, porque iam prestar algum teste. Muitos dos demais já faziam intercâmbio há meses e desde o nível básico, aí é inevitável, tem que estudar gramática. E o meu objetivo? Uma questão de honra.

 

Betty era conhecida como a professora mais difícil de aprovar alunos na ILSC. Ela ficava feliz quando tinha brasileiros no grupo. Dizia que a maioria dos brasileiros costuma ser bem solto pra conversar, mas como detestam estudar gramática, costumam falar muito errado e não se importar com isso. Ali, percebi que a professora, descendente de chineses, era dura na queda. Mesmo assim eu gostava dela.

Betty deixava qualquer um louco!

Betty deixava qualquer um louco!

Ela passava homework TODOS OS DIAS, TODOS SEM EXCEÇÃO! E sempre eram corrigidos em grupo, ou seja, se não fizesse passava vergonha, porque todo mundo tinha que responder parte do exercício da maneira que fez em público. Eu até entendo esse método, porque em 4 semanas estudei muitos conceitos de gramática. E acabava que durante as correções um ajudava o outro com suas respostas e as correções da Betty.

Na primeira aula da tarde era comum os alunos chegarem atrasados, porque era logo após o almoço. Ela dava bronca na lata. Então, todo mundo sabia, que se chegasse e a porta estivesse fechada, não poderia entrar mais. Ela dava uma tolerância de 5 minutos. General essa teacher viu. Seu aluno predileto era o Grant, um coreano mega dedicado e nerd. Sempre chegava com os exercícios impecáveis, e todo mundo queria dar uma espiadinha antes da aula, principalmente Gabriela, uma brasileira que odiava gramática, mas era obrigada a estudar por exigência dos pais.

E quem me conhece sabe que eu amo estudar. Amo uma sala de aula. Me dedico de verdade mesmo, porque gosto. Nunca fui cobrada pra ser assim por meus pais, eles queriam que fôssemos estudiosos e tal, mas nunca foram aqueles que exigiam apenas nota A (10), mas por outro lado eu mesma me cobrava, e muito, porque queria tirar sempre A! Não preciso dizer que estudava todas as noites (quando o frio não me derrubava), fazia o homework e nunca faltei nas aulas da Betty né?

Então meus leitores, vocês acreditam que eu criei um método de estudos pra decorar os verbos e conjugações? Era uma lista com cerca de 150!!! E muitos que eu sequer havia ouvido falar. E a bonita da professora tinha a capacidade de encaixar boa parte deles nos exercícios. Então, escrevi separadamente um verbo em cada quadradrinho, na frente do papel ficava o verbo e as conjugações, e no verso a tradução. Era uma pilha relativamente alta, eu estudava tirando um por um, e separava em: aqueles que eu não conseguia guardar; aqueles que eu me confundia; aqueles que eu tirava de letra. O objetivo, obviamente, era manter boa parte ou todos na terceira pilha. Foi difícil.

Foto da Tati criando o método infalível.

Foto da Tati criando o método infalível.

E os phrasal verbs meu Jesus amado?!?!? O que é aquilo?!?!?! Pior que os americanos, ingleses, canadenses, australianos, irlandeses, enfim, todos os abençoadas que nasceram tendo como língua nativa o inglês, os usam como se não fosse “a big deal”. E eu, fiquei com uma lista de 8 páginas com a menor letra impressa possível para ler um dia, quem sabe nesta vida ainda, e decorar os maledetos. Presentinho de Betty no último dia de aula.

Continua…

PS: se não entender muito bem esse post, comece lendo pelo dia 29/01 “Realizando um Sonho” e vem comigo pelos próximos dias.

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2 respostas para Enlouquecendo com a gramática!

  1. Thalita Oliveira disse:

    Aula de gramática era coisa de louco msm.. hehe.. Tb fiz 2 módulos de gramática com uma professora que era da Rússia, a mulher era uma fera… mas valeu a pena, tenho na memória até hoje as dicas dela.
    Quanto ao diário, eu tb tive essa ideia enquanto estava em Vancouver, mas foi tudo tão rápido que não parei nenhum minutinho para anotar aquelas experiências diárias. Sem contar que tinha coisas que não conseguiria traduzir para o papel, inexplicável msm sabe…

    Bons tempo Tati! Ou seria Thali.. hehe
    bjokss!!

    • E não é, Tati? Thali? hahaha
      Sobre o tempo vc tem razão, passa voando e a gente quer viver tanto aquilo que parece não ter importância anotar.
      Bju querida Thali? Ou Seria Tati? hahaha
      Alicia, a Loka!

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