O que aprendi nesse mês.

9 de fevereiro de 2010, terça-feira

Dia 12/30

Até agora parece que eu apenas passeei em Vancouver, né? A verdade é que a rotina de estudos era bem puxada. Procurei umas fotos deste dia 09 e só achei duas, provavelmente devia estar num ritmo acelerado para as aulas.

Uma coisa que chama bastante atenção é a maneira de estudar inglês, totalmente diferente de como fazemos no Brasil. Durante as aulas de comunicação a professora propunha sempre exercícios que tratávamos os tempos verbais e gramáticos de forma geral, sem ficar focando uma única coisa. Fazíamos entrevistas, quizzes e até games entre uma sala e outra. Assim a gente aprende sem ficar decorando, vai indo natural, como aprendemos um dia o português.

Quase sempre, independente da aula, tínhamos homework, desde um exercício fornecido pela própria escola, até escolher uma matéria no jornal e falar sobre no outro dia, preparar uma apresentação, entre outros.

Por conta desse método de ensino, a gente conhecia as outras pessoas mais a fundo, já que as perguntas eram pessoais. Muito interessante ver como as culturas podem ser tão diferentes de um país para outro. Amir, suíço, certa vez comentou que tinha 4 horas de almoço no trabalho, dessa forma ele era muito conhecedor de filmes (atividade que fazia durante o super intervalo), em compensação trabalhava até às 8 da noite. Ali era bem comum a galera ser bem jovem, então a experiência deles era mais focada nos estudos, alguns esperando concluir o curso de inglês em busca de uma carreira profissional. Num desses exercícios da aula de comunicação descobri como Bobbe, coreano, havia experimentado carne de cachorro pela primeira vez. Aprendi também como a cultura japonesa é diferente da nossa. Eles prezam bastante os bens materiais e acham que um bom casamento é aquele com uma pessoa de posses, então por isso são bem rígidos nos estudos, para que todos tenham um futuro profissional promissor, com dinheiro. Os coreanos têm um carinho especial pelos brasileiros, não sei por que, mas toda coreana que eu conhecia, virava minha melhor amiga e sempre pedia meu telefone, mas eu sempre as desapontava, uma vez que não tive celular durante este mês. Algumas culturas financiavam os estudos das pessoas, como a Tailândia, então eles iam pra ficar por anos e sempre estranhavam quando eu dizia que passaria apenas um mês. Essa troca cultural era algo que eu nunca esperava alcançar com o intercâmbio, não dessa maneira pelo menos.

Impossível não incorporar o 7Eleven em nossa vida (Foto do Tana, tirada em 06/02/2010)

Impossível não incorporar o 7Eleven em nossa vida (Foto do Tanan logo nos primeiros dias de aula)

Essa vida de estudante foi me fazendo entrar numa rotina gostosa de aprendizado dentro e fora da escola. Eu adorava observar as pessoas no ônibus, o jeito como o motorista falava com os passageiros em seu microfone moderninho, as pessoas conversando no Skytrain em várias línguas, o jeito das asiáticas se vestirem em pleno inverno (micro saia e meia calça) e o modo como os canadenses eram abertos com nós, estudantes. Bastavam estarmos de apostila, com cara de estudante pra alguém puxar papo, geralmente senhoras, pra nos ajudar praticar o inglês. Elas mesmas que diziam isso. Era um barato.

As aulas de gramática, primeira da parte da tarde, era um pouco maçante, mas achei muito importante para entender alguns tempos verbais que nunca entraram direito na minha cabeça, como o “present perfect”. Nessas aulas eu descobri que aprender inglês pra um brasileiro, por exemplo, é infinitamente mais fácil do que para os coreanos, já que a estrutura da língua deles é totalmente diferente, com aqueles símbolos e eles não usam artigos. Você não tem noção como é difícil pra um coreano aprender os artigos “the”, “a” e “an”, quando usar, quando não usar. E tinham também os árabes, que além de várias particularidades escrevem de trás pra frente. Pensa no nó na cabeça deles pra aprender uma nova língua? Inclui inclusive aprender a escrever!

Além da rotina de estudante, a gente começa a incorporar algumas coisas canadenses, como sempre ter uma bebida quente na mão. Quando eu via cenas assim em filmes eu achava que era frescura, uma forma de mostrar um copo legal do Starbucks, mas morando num lugar gelado, a gente aprende a apreciar as maravilhas que um simples copo de café ou chocolate quente faz na nossa vida. Eu tomava quase todos os dias, pelo menos duas vezes ao dia. Escolhia os do 7Eleven com frequência por causa do preço, mas preferia os do Tim Hortons aos do Starcubcks, mais desencanado, com atendentes estrangeiros simpáticos, com um inglês carregado de recém-chegado ao Canadá, me identificava com o lugar. Outra coisa que incorporei e choro quando lembro atende pelo nome de “English Muffin”. Meu Deus como era gostoso!

Momento chocolate quente do dia. Foram várias e vários assim (Foto do Tanan)

Momento chocolate quente do dia. Foram vários e vários assim (Foto do Tanan)

Na última aula da tarde, eu voltava para a comunicação, mas de um jeito diferente. Toda semana a gente tinha que preparar apresentações e fazê-las pros colegas de sala, e todos TINHAM que fazer perguntas sobre o que havia sido apresentado. À medida que íamos falando a professora ia corrigindo e nos fazendo voltar na apresentação, fazer anotações no quadro, mostrar coisas num mapa. Era muito interativa, com bastante troca. E a professora, tinha certa simpatia por mim. Ela dizia que eu era muito “confident” (segura).

Depois das aulas eu gostava de passear a pé enquanto tinha luz do dia, ou seja, eu tinha apenas uma hora pra isso, mas era difícil escolher entre ligar pra casa, ficar uns minutos no computador da escola pra ver notícias em geral ou mandar email com as novidades, fazer uma aula extra ou passear. Eu optei por ligar pra casa entre uma ou duas vezes na semana. Pode parecer pouco, mas vocês não têm noção de como o tempo passa rápido nesse ritmo. E outra coisa bastante limitadora era a diferença de fuso horário, de 6 horas, então ou eu ligava neste curto período de horas ou pegava o povo dormindo.

Não se engane com esse dia mais claro, sem chuva e com um solzinho...

Não se engane com esse dia mais claro, sem chuva e com um solzinho…

... às 8h30 da manhã olha a temperatura!!! O dia prometia vento, muito vento, mas ainda assim era lindo ver o céu aberto.

… às 8h30 da manhã olha a temperatura!!! O dia prometia vento, muito vento, mas ainda assim era lindo ver o céu aberto.

Eu costumava chegar cedo em casa durante as semanas, às 8 no máximo. Geralmente o jantar já estava pronto, eu batia um papo principalmente com Romy (host father) e depois subia para estudar um pouco. No começo, essa rotina de estudos a noite era muito difícil, porque assim, quando eu chegava da rua a comparação da temperatura de fora, com a da casa era gigante, bem melhor dentro de casa, chegava a achar até quente, mas depois de algum tempo lá dentro eu começava a sentir um frio danado. E aí descobri que eles não tinham o costume de ligar o aquecimento central, nunca ligaram. Ficavam rindo da minha cara, eles todos de camiseta e moletom e eu, de blusa de frio, e às vezes até de luva e touca. Dentro de casa gente! Aí eu subia pro meu quarto, estudava meia-hora e não aguentava de frio. E quando resolvia estudar enrolada nas cobertas ou cansava de fazer isso na escrivaninha, por causa do peso da coberta ou dormia na cama com o caderno do lado.

Depois conto quando e como eu ganhei um aquecedor só pra mim, mas até lá passei frio pra caramba dentro de casa.

Continua…

PS: se não entender muito bem esse post, comece lendo pelo dia 29/01 “Realizando um Sonho” e vem comigo pelos próximos dias.

Anúncios
Esse post foi publicado em Vancouver. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para O que aprendi nesse mês.

  1. Pingback: Miscelânea Canadense | Deleite da Vida

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s