Sexta-feira… Folga!

5 de fevereiro de 2010, sexta-feira

Dia 8/30

Engraçado que à medida que a escrita vai evoluindo, e consequentemente os dias, vai me dando a mesma sensação de que o tempo passa rápido demais. Uma semana já se foi e parece que eu não quero que os dias das lembranças vão embora. Assim como eu desejava quando estava lá. Muito louco isso né?

Como eu já sinalizei por aqui, meus estudos em Vancouver eram em tempo integral. A primeira aula era das 9 ao meio-dia (com 15 minutos pro chocolate quente), depois fazia uma pausa pra almoçar e seguia pra primeira aula da tarde que era da 1h às 2h30 e a última das 2h45 às 4h. E se você pensou que esses 15 minutos entre uma aula e outra eram intervalo, engana-se. Eu estudava em 3 unidades diferentes da ILSC, então a primeira aula era na Seymor St, depois na Richards St e a última na Granville St. Às vezes me sentia a própria barata tonta indo entre uma rua e outra, que eram relativamente próximas, mas some-se a isso, material pra carregar, roupa pra tirar, roupa pra colocar, escada pra descer, escada pra subir, rua pra atravessar, chocolate quente pra comprar e beber. Era uma maratona. E eu adorava essa correria!

Porém (neste caso um porém muito do bom!), de sexta-feira a escola não tinha aulas na parte da tarde, justamente para que os alunos pudessem ter uma parte livre, muito útil para aqueles que iriam viajar no final de semana.

Sexta-feiraaaa. Dia de passear!

Sexta-feiraaaa. Dia de passear!

Só pra te situar, Vancouver fica na costa oeste do Canadá (Oceano Pacífico), na província da Colúmbia Britânica (British Columbia – BC), então é relativamente perto de Seattle nos Estados Unidos. Assim como Seattle, quem costuma ir pra Vancouver pode escolher viajar para Victoria, capital de BC, Whistler (estação de esqui) e até mesmo para as Rocky Mountains (Montanhas Rochosas), que ficam na província vizinha, Alberta. E um montão de outras cidades mais próximas inclusive.

A sexta-feira era então bastante aguardada por todos os pobres alunos. E pelos alunos pobres também! Poxa, sou filha de Deus né? Mereço curtir um pouco. De preferência gastando pouco, o que não era difícil, uma vez que Vancouver é um dos lugares que mais possui parques no mundo, parques do tipo Ibirapuera, que você vai pra curtir a natureza, tirar lindas fotos, andar de bike ou simplesmente andar a pé mesmo, pra lá e pra cá.

Stanley & Aquário

Stanley & Aquário

Neste dia 5 nós reunimos boa parte da turma de comunicação e mais um montão de suíços com o objetivo de conhecer o Aquário de Vancouver que fica dentro do Stanley Park. Aí você visualiza: até que a gente almoça, tenta reunir todo mundo, conversa daqui, conversa dali, vai andando até lá e tal… chegamos tarde demais e o pessoal da entrada nos alertou que aproveitaríamos pouco entrando aquela hora. Foi uma grata infelicidade, porque fizemos um belo tour pelo Stanley Park e eu descobri o quanto amava aquele lugar.

Lindo Stanley Park

Lindo Stanley Park

O Tanan aproveitou pra fazer lindas fotos, inclusive uma que eu amo e postei no dia 6/30. Andamos pra caramba pelo parque e depois descobri que não vim a andar nem 1/3 dele. O lugar é grande demais e fica numa localização espetacular de Vancouver. Numa área verde riquíssima com várias espécies de árvores, e também lojinhas, restaurantes charmosos, a área dos totens enormes, e tudo isso com o mar que circunda boa parte dele. Posso te garantir que só pelo Stanley Park eu pegaria um voo agora pra dar uma chegadinha em Vancouver. Eu me apaixonei por lá. Fui várias vezes e por lá tive um dos dias mais especiais e lindos da minha vida (assunto pra outro post).

Uma das coisas mais bacanas de conviver com europeus é que eles são desencanados de muitas coisas, não ligam muito pro jeito das pessoas se vestirem, dificilmente você os vê fazendo fofoquinhas preconceituosas dos outros, enfim, coisas que nós brasileiros às vezes exageramos, é ou não é? Então era muito fácil falar sobre qualquer coisa com eles sem um ar de recriminação. E também não ficam corrigindo seu inglês a todo momento com ar de superioridade. Posso estar enganada, mas foi essa sensação que tive. Tirando por um moleque italiano da minha aula de public speeking, eu me dei bem com todos os europeus, principalmente os suíços, mas ainda assim eu percebia que assim como os brasileiros, eles não podiam se juntar que faziam suas panelinhas. Nesse ponto acho até normal, porque tem hora que só falar inglês dá uma enchidinha no saco.

VancouverDay8_6

Alguns dos sobreviventes da tentativa frustrada do aquário quiserem dar uma esticadinha por downtown, então lembro do Tanan ter me emprestado seu celular para que eu pudesse avisar em “casa” que não me esperassem para o jantar. Neste dia eu falei com o Matthew e até hoje não sei se ele foi frio no telefone, porque todos os adolescentes são, ou porque posso ter falado tanta coisa errada que ele achou um absurdo ter que ouvir aquele inglês! :)

Gente, eu era uma boa “filha”, sempre avisava quando iria me atrasar para o jantar e quando não iria jantar. Achava uma sacanagem eles terem que fazer algo e eu simplesmente não aparecer, por mais que eu estivesse pagando. Muitas foram as vezes que eu sabia que ia demorar, mas contando que não queria gastar pra comer na rua, pedia pra que eles deixassem meu jantar separadinho (recomendação da escola). E eles assim faziam. Era demais de boa essa família Filipina. Se for novamente pra Vancouver iria adorar ficar lá com eles.

Enfim, fomos num barzinho comer uns beliscos e tomar uma cervejinha, eu escolhi a Molson Canadian e achei bem gostosa, mas só tomei uma, uma vez que o preço de bebida alcoólica por lá não é nada agradável. Não dá pra ficar bêbado em Vancouver! Outra coisa nada agradável é a frieza das garçonetes. Elas não ficam esperando enquanto você decide o que consumir, e se chegarem pra anotar e você titubear elas somem de novo. Se demorar pra pedir algo novamente e ficar papeando na mesa, elas trazem a conta sem dó nem piedade. Nessas horas dava uma saudade de São Paulo e sua excelência na prestação de serviços…

Parece super tarde né? Mas a primeira foto foi tirada às 5PM.

Parece super tarde né? Mas a primeira foto foi tirada às 5:22 da tarde/noite.

E pra encerrar esse post-folga eu queria mencionar meu primeiro choque cultural. Numa conversa com o Tanan (Tailandês, lembra?) eu comentei algo sobre a minha família e meus sobrinhos, aí tentei explicar pra ele que eu era madrinha de um deles, mas não sabia que palavra usar, então peguei o dicionário da bolsa (sim, eu andava com ele pra cima e pra baixo), mostrei pra ele e percebi que ainda assim não entendeu. Aí comecei a explicar bem rapidinho sobre esse lance dentro da religião católica, ao que ele responde na maior tranquilidade: “Ah é aquela religião que tem um tal de… como é mesmo o nome? Cristo né? ou Jesus?”. Eu confirmei e percebi que perto do tamanho do universo nossas crenças muitas vezes são apenas nossas mesmo. E assim que é bom, ninguém achar que é melhor do que ninguém.

Fotos tiradas pelo Tanan e sua super máquina profissa.

Fotos tiradas pelo Tanan e sua super máquina profissa.

Continua…

PS: se não entender muito bem esse post, comece lendo pelo dia 29/01 “Realizando um Sonho” e vem comigo pelos próximos dias.

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