Rotina, café, correria, frio e calor

3 de fevereiro de 2010, quarta-feira

Dia 6/30

Às vezes eu acho que em algum momento da minha vida fizeram um transplante de cérebro em mim. Tiraram o meu e colocaram um de elefante. Sério, eu tenho uma memória muito boa, mas obviamente não tão boa a ponto de me fazer lembrar em detalhes de cada coisa que fiz em Vancouver.

Ainda assim, as fotos que tirei ajudam bastante, mas não neste dia 03 de fevereiro, que não tirei nenhuma foto. Lembram que o memory card da câmera ficou cheio na visita ao MOA? E que eu não tinha notebook para descarregar? Sendo assim, esse foi o dia que comprei a minha linda câmera nova azul brilhante, nada profissional, mas com uma lente excelente. Yay!!!

Adoro essa foto do Tanan. E olha a câmera nova que linda!

Adoro essa foto do Tanan. E olha a câmera nova que linda!

Outra coisa que me ajudaria nas lembranças é um caderninho vermelho da Pucca que eu anotava tudo o que gastava por dia. Pois é gente, viagem de intercâmbio de pobre é assim, tem que definir um limite a ser gasto todos os dias, anotar e ver quanto vai sobrar, se vai sobrar ou se é hora de recorrer ao cartão de crédito (opção de vida ou morte). Porém, não achei esse caderninho, mas quando achar ele pode me ajudar a escrever um livro sobre a viagem, porque sei que vou ficar assim: “ah esse foi o dia que almocei no A&W e vimos aquele casal da nossa sala de beijando”, “hum, esse foi o dia que encontramos uma puta liquidação na Hollister e quase comprei tudo por lá, mas o caderninho não deixou”, “putz esse foi aquele dia que fiquei sem jantar e chorei, tamanho o abandono que senti”… e por aí vai.

Então hoje vou falar de lembranças em geral. Aquelas mais recorrentes que são gostosas de falar.

Através da agência de intercâmbio eu contratei um pacote que incluía a hospedagem na casa de uma família com café da manhã e jantar.

O café da manhã, logo no meu segundo dia lá, eles me explicaram que eu poderia ficar a vontade pra pegar as coisas na geladeira e no armário onde ficavam os pães. Então, todo dia pela manhã eu tomava um banho bem quente, fivaca num dilema se lavava ou não os cabelos, porque sair no vento de Vancouver com eles molhados era terrível, mas ficar com eles oleosos também… me trocava por lá mesmo e ia preparar o meu café, geralmente sozinha, porque a rotina dos demais integrantes da casa era diferente, quando eu saía cruzava com a Lori (mãe) chegando, nunca via o Romy (pai) pela manhã e o Matt (irmão) sempre pegava qualquer coisa no balcão e saía correndo pra não perder o ônibus enquanto eu tomava meu café. As meninas dormiam. Eu pirei numa geleia de blueberry que sempre tinha na casa, e na falta de manteiga, minhas opções eram a geleia ou o cream cheese, o pão era sempre um tipo de bagel, super grosso que eu cortava ao meio e enchia de geleia, costumava tomar um leite com chocolate. Não lembro se tinha café.

Mais uma foto do Tanan. E como podem perceber, neste dia a escolha foi por "não lavar".

Mais uma foto do Tanan. E como podem perceber, neste dia a escolha foi por “não lavar”.

Vocês lembram que todo mundo andava descalço em casa né? Na verdade de meias. Então, depois de tomar café eu sentava no chão, colocava minhas botas e corria pro ponto de ônibus, do outro lado da rua. Até aqui parece tudo tranquilo né? Mas eu nuuuunca conseguia acordar com folga então tinha que fazer tudo isso correndo: acordar, enrolar na cama, cochilar, acordar de verdade, escolher a roupa que ia usar que nunca era pouca e sempre tinha um casacão, botas, luvas, touca, térmica, etc, descer com as roupas de baixo e os artefatos do banho, tomar banho, escolher entre ficar com o cabelo ensebado ou congelado na cabeça, subir pra levar os pijamas e artefatos, descer com as roupas pesadas e as apostilas da escola, fazer meu café, sentar no chão, colocar as botas, ver se precisava de guarda-chuva, trancar a porta e sair, na maioria das vezes com o bagel carregado de geleia de blueberry na mão. Ufa!

Putz, perdi o ônibus, de novo.

E o dilema com as milhares de roupas que eu costumava usar? Lingerie, blusa e calça térmica, uma meia normal e uma meia grossa, blusa bonitinha ou suéter, calça jeans ou de veludo (veludo de verdade, esquenta até a alma), casaco impermeável, touca, luvas e cachecol. Se alguém aqui já enfrentou o frio do hemisfério norte sabe que absolutamente todos os ambientes fechados são aquecidos, quer dizer, super aquecidos, então era batata, entrava no ônibus e quase morria de calor, a vontade de tirar tudo era grande, mas e a preguiça? E outra, o trajeto do ônibus até a Joyce Station era rápido, então não valia a pena tirar, pra depois colocar tudo de novo. E dentro do Skytrain era o mesmo dilema, que caloooooooorrr!!!

Lembrar disso tudo assim é muito gostoso sabe? E a vida de estudante, da qual a única preocupação é ir bem nas aulas e nas provas, deixava tudo mais leve. Foram férias corridas, que eu estudava 7 horas por dia, mas foram as que mais descansei e relaxei, não sentia dores nas costas, dor de cabeça,  e sentia que a cada dia aprendia algo muito diferente, seja da língua, seja das culturas. E essa experiência transforma a vida da gente, não tem jeito.

Fotógrafo Tanan, um querido neste mês de Vancouver.

Fotógrafo Tanan, um querido neste mês de Vancouver.

E só pra fechar, eu lembro que neste dia 03 eu estava ansiosa, porque iria comprar a minha câmera numa loja da qual eu imaginava todos falariam apenas inglês, e não inglês de escola, mas inglês normal, do dia a dia, e eu não me sentia pronta pra sair por aí usando. E olha que engraçado, lá na Future Shop eles tinham um vendedor de câmeras que falava português! Foi legal, porque são explicações importantes, sobre preço, impostos e garantia. Outros vendedores ajudaram na compra também e ali percebi o quanto os canadenses eram gentis. Depois de comprar a câmera eu fui correndo pra casa, doida pra mexer no brinquedo novo.

Essa quarta-feira foi meu último dia de jet lag, que delícia pensar agora que na quinta-feira eu já estava totalmente adaptada ao fuso-horário de Vancouver.

Continua…

PS: se não entender muito bem esse post, comece lendo pelo dia 29/01 “Realizando um Sonho” e vem comigo pelos próximos dias.

PS2: aproveitei a ocasião que não tinha fotos deste dia pra colocar umas fotos bacaninhas dos amigos durante esses dias em Vancouver, ou seja, essas fotos não foram tiradas por mim.

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8 respostas para Rotina, café, correria, frio e calor

  1. Ana Paula Amorim disse:

    Tati,
    Também tinha um caderninho, anotava tuuuudo e mais um pouco, viajei com pouquíssima grana, sinceramente, não sei como me virei com tão pouco, tendo usado o cartão de crédito apenas uma vez. Cheguei a esconder dinheiro de mim mesma para comprar presentes para o meu pai e para o Pedro rs, colocava no fundo da mala e não tirava dinheiro de lá de jeito nenhum.
    E para economizar ainda mais, vivi vários dias de comida congelada da Shoppers Drug Mart, já que não tinha almoço no meu “pacote”, Vancouver me ensinou a comer comida congelada! Ah essa vida de intercambista pobre rs.

    • Ai Ana, essa de esconder o dinheiro foi demais! kkkkk
      Não cheguei a comer comida congelada, mas pra economizar foram váaaarios pizza time! hahaha
      Lembro que no primeiro dia de aula, a cood. do curso falou que era pra gente tomar cuidado e não comer apenas sopa/macarrão instantâneo, já que custava apenas 1 dólar! Ainda bem que não gosto, senão não ia resistir assim tão baratinho! kkkkkkkkk
      Bjuuuuu

  2. Ana disse:

    Eu saio na rua com cabelo molhado e morro de frio! Eu procuro lavar o cabelo quando chego em casa, e bem antes de dormir. O mesmo com as minhas filhas. O negócio é que o povo aqui costuma secar com secador mesmo. Eu não tenho. :(

    Sobre o frio e o calor, depois de um tempo a gente acostuma e só anda com uma camada de roupa e o casaco por cima. :) Pelo menos não morremos de calor nos ambientes fechados. :)

    • Pois é Ana, eu me arrependi de não ter levado umas blusinhas mais bonitinhas sabe?
      Pq daria tranquilo mesmo pra tirar tudo nos ambientes fechados.
      Eu ficava boba nos barzinhos com as meninas de blusinha de alcinha!
      Agora sobre o cabelo era terrível conciliar viu, vários foram os dias de morrer de frio e de morrer de vergonha com eles sujos! rs

  3. Pingback: Sexta-feira… Folga! | Deleite da Vida

  4. Livi (Baianos no Polo Norte) disse:

    Faltou um secador de cabelo para você rsrsrs. Já estou tão viciada que quando não uso acho até estranho. Ah eu trabalhei na Future Shop quando cheguei aqui rsrsrs Estou adorando a série, não consigo parar de ler!

    • Pois é menina, micos de primeira viagem né? A gente não pensa em certos detalhes e depois se ferra! rsrsrs
      Que bom que está gostando da série, pode deixar quantos comentários quiser, eu adoro saber a opinião e sentimentos das pessoas quanto aos textos.
      :)

  5. Pingback: O caderno da Pucca (making off Vancouver) | Deleite da Vida

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