Primeiro dia de aula

1º de fevereiro de 2010, segunda-feira

Dia 4/30

O que esperar? Como chegar na escola? Ia conseguir me comunicar? Ia gostar da galera? Ia passear? Ia falar pelos cotovelos? Ia ver coisas bonitas? Ia chover?

Graças às dicas da Lori eu cheguei direitinho à escola. Fiquei impressionada com a precisão do horário do ônibus. Portanto, se te disserem que o ônibus passará as 7h17, acredite! Várias foram as vezes que eu deixei passar dois minutinhos e me lascava, enquanto ia ao ponto via meu ônibus passando do outro lado da rua, impreterivelmente em seu horário já previsto.

Eu achava esse pedacinho um charme.

Eu achava esse pedacinho um charme.

Eu estudei numa escola que tem vários endereços em Vancouver, então só pra variar eu desci na saída errada do Skytrain. Andei um pouco, mas até aí achei que estava certo, só no outro dia que descobri que tem uma saída quase na esquina da escola. Ah e falando em Skytrain me divertia com as moças que entregavam os jornais Metro e 24 Hours, elas meio que disputavam a preferência das pessoas. Eu pegava os dois, porque não queria deixar ninguém chateada. E foi no Skytrain também que tive a visão mais linda da viagem – só não mais bonita que as montanhas – aparelhos públicos de telefone. Pensem aqui em muitas carinhas cheias de sorriso.

Pensando agora no primeiro dia de aula, eu só tenho uma palavra pra dizer, hilário. Já explico. Chego na escola toda séria, querendo seguir todas as regras, uma delas é o Only English, ou seja, não é permitido falar em outra língua que não o inglês nas dependências da escola ou nas atividades dela. Então, pra não cometer nenhuma falta eu opto pela lei do silêncio até que tenha feito as provas. E parece que todos os alunos resolvem praticar a lei do silêncio. Nem parecia uma escola.

Em dado momento nos separaram em grupos para salas diferentes. Primeiro faríamos a prova escrita, depois teríamos uma apresentação com dicas, informações importantes e demais regras da escola, e pra fechar, a temida entrevista.

Na hora da prova escrita eu ficava observando todos a minha volta e ficava tentando imaginar de onde aquelas pessoas seriam. Tenho certeza que todos fizemos isso. Na minha cabeça vieram Mexicanos, Japoneses, Argentinos, Indianos, Italianos, etc.

Fomos então para a apresentação. Até lá já tinha feito amizade com um rapaz brasileiro. Ok, não achei que ninguém ali era brasileiro e acabei fazendo amizade com um. Ai ai ai, assim não pratico meu inglês oras bolas! Então conversamos em inglês, ele era meio esquisito e ficava me desafiando, porque realmente o inglês dele era melhor que o meu. De repente fizemos amizade com uma menina de Recife, que por sua vez falava muito pouco de inglês. Ok, um ajudou o outro. De repente entra a moça da apresentação e começa a falar em português também. Eu penso, como assim? Ela vai receber uma multa desse jeito. Mas não caros leitores, aquele dia era dividido em grupos por nacionalidades, ou seja, todo mundo que estava ali naquele momento, umas 40 pessoas, eram todas brasileiras! Hahahaha. Dá zero pra todos eles!!!

Essa apresentação inicial é muito importante. E realmente se tivesse sido em inglês perderíamos informações úteis sobre costumes, cultura e regras. Por exemplo, foi neste dia que descobri que ninguém anda de sapato dentro de casa, pelo menos não de sapato que usamos na rua – aí um mundo se abriu: ah então é por isso que tinham tantos sapatos do lado de fora da casa?!?!; descobri também que eu prepararia meu café da manhã de acordo com o que fosse liberado pra mim; que café da manhã no Canadá não tem nada de pãozinho com manteiga e café com leite (em outro post eu detalho isso); que almoço é um lanche rápido, como um sanduíche ou uma fruta; que a cidade era extremamente segura, mas nada de deixar uma bolsa dando sopa num local público; que todos costumam entrar pela porta dos fundos em casa; que não é de bom tom ficar falando alto no ônibus, Skytrain, etc; que deveríamos procurar seguir os costumes da casa que estivéssemos morando; que é proibido beber bebida alcoólica em áreas públicas e que a maioridade é a partir dos 19 anos; e muitas outras coisas que se eu lembrar vou te falando a título de curiosidade, como o fato de levarmos uma bronca ou multa do guarda por atravessar fora da faixa de pedestres… e por aí vai.

A porta de entrada é por aí, nos fundos.

A porta de entrada é por aí, nos fundos.

Aí teve o momento da entrevista, que fiz com a maior cara de pau do mundo, fui me soltando, em algum momento falei que fazia Yoga, ela disse que dava aulas de Yoga lá na escola mesmo, que tinha um namorado chamado Robin, como do Batman. Eu falei algo sobre nomes que pra nós brasileiros são exclusivos de mulheres, como Andrea, etc e tal. E no fim recebi uma nota de turma intermediária. O que para mim foi uma grande vitória, porque a diferença entre o inglês que aprendemos no Brasil e o praticado nas escolas estrangeiras é monstruosa. Ficaria feliz se pegasse um grau básico.

A Tali vai me matar, mas eu tinha que registrar algo do pizza time!

A Tali vai me matar, mas eu tinha que registrar algo do pizza time!

Neste dia escolhi fazer aulas de comunicação, gramática e falar em público. E conheci o famoso pizza time (muito útil quando a grana é curta). Logo mais vou contar pra vocês se tive sorte ou não com comida no Canadá – dias felizes e bastante trágicos fazem parte dessa experiência.

Continua…

PS: se não entender muito bem esse post, comece lendo pelo dia 29/01 “Realizando um Sonho” e vem comigo pelos próximos dias.

OBS: Não recebi cachê pra elogiar nada aqui no post, mas eu sinceramente recomendo a escola ILSC – inevitavelmente falarei bastante dela durante esse mês; de quebra se quiser procurar uma agência, eu fui muito bem atendida pela Experimento de Santana.

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4 respostas para Primeiro dia de aula

  1. Ana disse:

    Você ficou em qual altura da 41st? Eu morava perto. :) Pelo que você falou do Skytrain, era a mesma vista que eu tinha quando morava lá. De repente a gente pegou Skytrain junto e nem sabia, hein? :)

    • Será?!?!? Que demais!!!
      Eu “morei” na 41st com a Clarendon, pegava um ônibus até a Joyce Station e de lá seguia pra estação Granville.
      Me conta! Fiquei curiosa. Super coincidência, pq eu acho que acompanho seu blog depois de já ter voltado de Vancouver.

  2. Pingback: Explorando Van | Deleite da Vida

  3. Talita Alves disse:

    Kkkkkkkk medo de mim nessa foto, mas td bem :)
    Bjos

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