Uma paixão

Hoje tem pudim de leite condensado (com segredinho).

Lendo assim pelo título dá pra imaginar que falarei de futebol? Pois é, estou em êxtase pelo meu time do coração, aquele preto e branco que acabou de ser campeão da Libertadores. Muito falado Brasil afora, seja bem, seja mal, o Corinthians está sempre na boca do povo. E eu adoro.

Meu caso com o futebol tem cenas de amor e ódio – e não estou falando das derrotas ou vitórias. Puxando mais fundo do baú me lembro que sempre odiei jogar bola na escola. A timidez teve grande contribuição para esse sentimento, mas não tenho certeza porque na escola eu sempre gostei do contato com a galera. E qual esporte para colocar toda galera junta? Pois é, mesmo assim eu não gostava. Agora não gostar de praticar não significa não gostar de assistir ou qualquer coisa relacionada, certo?

Ainda na escola eu recebi a boa notícia de que estava liberada das aulas de educação física, porém seguida de uma má notícia: também teria que parar de dançar jazz, meus joelhos “presenteados” com um problema congênito não aguentariam impacto e eu já sofria com dores constantes. Foi aí que eu virei juíza de futebol! Ainda na escola viu gente? Essa não é minha profissão.

Eu achava o máximo ter que estudar futebol pra poder apitar e mais ainda por mandar e desmandar em campo! E nessa época eu tinha mais duas paixões, o goleiro Zetti e o jogador Leonardo, ambos do São Paulo – dá pra acreditar em tamanha desonra na minha família 100% corintiana? Mas enfim, não mandamos no nosso coração e eu NUNCA ABANDONEI O CORINTHIANS POR CAUSA DESSES DOIS GATOS!!! Mas já fui algumas vezes ao CT do São Paulo para tietar! E não parei por aí, eu e uma amiga querida mandamos carta para o programa Porta da Esperança com a intenção de conhecer os dois. Não fomos sorteadas, mas ainda hoje morro de rir lembrando disso.

Chorei no jogo Brasil e Estados Unidos da copa de 94 quando o Leonardo foi expulso depois daquela cotovelada fenomenal!!! Nunca esqueci aquele 4 de julho. E agora, numa feliz coincidência, se é que elas existem, outro 4 de julho para marcar: a vitória do meu timão, campeão invicto de uma copa que os adversários sempre diziam “NUNCA SERÃO” campeões. Sinto-me até um pouco responsável pela vitória, porque definitivamente não acredito em coincidências.

Lá em casa meu pai sempre nos estimulou a gostar de futebol, e claro a sermos corintianos. Toda copa eu lembro como se fosse agora de nós 4 colando as figurinhas no álbum. Até hoje eu lembro de muito jogador da Suécia, Itália, Argentina, Portugal, Dinamarca só por causa desses álbuns. E sempre que tem copa, seja o jogo que for, se eu estiver em casa eu assisto. Nessas horas sinto uma saudade enorme do meu pai, porque sempre assistíamos juntos, falando e comentando o tempo todo sobre algo do jogo. E nessa final da Libertadores não foi diferente, ele lá em Sampa e eu em Goiânia assistindo na presença do meu marido são-paulino… é mole?

Quando o Corinthians está em alguma final eu fico me perguntado: por que raios fui gostar de futebol? Por que não escolhi voleibol? Ou natação? Ou qualquer outra coisa que não tenha milhões de pessoas ligadas, na maior tensão do mundo, uns tentando secar, outros cantando vitória antes da hora? Mas aí o juiz apita, 30 milhões de malucos fazem o coro de é campeão e eu na mesma hora sou tomada por tanta alegria, que nem lembro mais do sofrimento. É bom demais!

E pra falar de paixão uma receita que é paixão nacional, depois do futebol, da cerveja, da feijoada… E ai de algum brasileiro falar que não gosta de pudim.

Pudim de leite condensando

Eu sempre faço a receita clássica da Nestlé – que tem na lata de leite condensado – e não mudo nada. Tem gente que coloca mais leite condensado, outros farinha, maizena, açúcar, e sei lá mais o quê, mas tudo isso compromete o gosto ou a textura que na minha opinião é  a marca registrada do pudim.

Calda: coloque uma xícara de açúcar numa panela larga e leve ao fogo baixo, deixe lá para derreter suavemente até ficar bem dourada, jogue então – com cuidado – meia xícara de água fervente. Cuidado com o vapor que sobe!!! Mexa com uma colher de pau comprida até dissolver os torrões de açúcar. Depois jogue ainda quente na forma do pudim.

Pudim: coloque no liquidificador 1 lata de leite condensado Moça (não tem jeito, é o melhor), 2 latas de leite (se usar o semi-desnatado vai ficar bem suave – use a lata do leite condensado pra medir) e 3 ovos inteiros. Bata até que todos os ingredientes se misturem, não precisa bater muito, nunca marquei, mas não passa de 2 minutos. Despeje a mistura na forma com a calda (com cuidado), cubra com papel alumínio e leve ao forno médio (180º) pré aquecido EM BANHO MARIA. Leva cerca de 1h30, mas fique de olho, já tive forno que levava duas horas e outros menos tempo. Quando espetar um palito e sair limpo é porque está pronto, na dúvida dá uma balançada, se estiver com aspecto de gelatina, está pronto. Deixe esfriar naturalmente e coloque na geladeira. Desenforme depois de bem gelado (dica para não desmanchar).

Segredo de estado da Tati: tem gente que não gosta de pudim, porque diz que ele tem gosto e cheiro de ovo. Concordo que realmente tem um cheiro forte, que na minha opinião o leite ajuda a aumentar e não me incomoda. Uns tentam tirar o gosto do ovo passando a gema na peneira antes de colocar no pudim. Eu faço um pouco diferente, mas a ideia é a mesma: remover aquela película que envolve a gema. Eu faço assim: primeiro separo a gema da clara, depois com a gema numa mão e o garfo na outra. Segurando como se fosse pegar comida eu furo o ovo removendo a pele com o garfo e deixo a gema, já sem a pele escorrer. Dá pra ver o que é pele caso ela caia na gema, é só pegar e tirar fora. Seja rápida!

Não tenha nojo, sua mão vai ficar com cheiro de ovo, mas seu pudim não vai ter nenhum vestígio. O esforço valerá a pena, pois eu sempre escuto que meu pudim não tem gosto de ovo. O cheiro, sinceramente eu acho que é sempre o mesmo de qualquer pudim.

Deleite-se!

Fonte da imagem do manto do Corinthians: aqui.
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3 respostas para Uma paixão

  1. Paula disse:

    Oi Tati, nunca consegui fazer um pudim que saisse bom, vou tentar esse, tem 2 receitas aqui que nunca conseguia fazer que agora faço e dá super certo. O bolo de cenoura da Deise e a Torta de Atum (que acho que vou fazer hoje). Agora não sei se te perdoo, por nunca ter feito esse pudim para mim.

    Bjs

    • Nossa que honra receber um comentário desse! Vou até colocar no blog pras pessoas verem que as receitas são testadas e aprovadas! rsrs
      Essa torta é demais mesmo, a melhor massa que tem, só faço ela.
      Então pra me perdoar eu faço esse pudim quando vier me visitar em Goiânia! Fechado? :)

  2. Pingback: Testado e aprovado! | Deleite da Vida

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