Mudanças e afins

Hoje tem pão de queijo mineiro uai!

Cof, cof, cof… vamos limpar a poeira daqui e voltar ao que interessa? Histórias, causos, divagações, desabafos, piadinhas, livros, mas sem esquecer das receitas e gostosuras que eu me meter a fazer ok?

Como comentei no último post eu estava de mudança. E cá estou em minha nova cidade, Goiânia. Há quem pense que sou maluca, outros que sou pau pra toda obra, e outros ainda que estou montada no dinheiro, “afinal mudar de cidade e estado pela segunda vez em menos de dois anos, só por muuuito dinheiro!”

Pois bem, posso dizer que nem uma coisa nem outra, mas garanto que essa vida nômade não é para qualquer pessoa e eu devo ter esse espírito cigano e desbravador no DNA: minha mãe casou e mudou de cidade/estado, sua mãe, hoje assentada em Brasília, já viajou muito pelas roças de MG e GO com meu avô, sempre em busca de trabalho e de dar o que comer aos 8 filhos, que por sua vez também nasceram aos pares pelas cidades afora.

O motivo para tais mudanças é o trabalho, mas não me queixo, simplesmente encaro, dou o melhor possível e torço demais para que dê certo. A saudade bate? O tempo todo! Sinto falta dos amigos e da família? O tempo todo também. Mas ainda assim sigo em frente.

Para quem pensa que é fácil já vou dizendo que não, mas eu acho que a pessoa deve ter algo de diferente em seu espírito para se adaptar às mudanças de maneira radical, então não é para qualquer pessoa, definitivamente não é. Eu, por exemplo, tomo o máximo de cuidado nas coisas que falo, porque quem está longe pode interpretar de várias formas, principalmente a família, e assim sofrer e ficar com mil coisas na cabeça. E eu percebo que minha família faz o mesmo.

Agora entendo porque minha mãe vira e mexe fala assim: “quando a mamãe some é porque alguma coisa está acontecendo” (se referindo à minha avó). E eu não entendia o por quê da minha avó esconder as coisas ruins, mas agora sei exatamente o motivo. Na verdade ela não escondia as coisas mais sérias, mas apenas aquelas chatices do dia-a-dia sabe? Que acontecem o tempo todo e que muitas vezes só precisam de alguns dias para serem digeridas e aí sim passadas adiante. Sábia vó Geralda.

Hoje eu me vejo fazendo o mesmo com minha mãe e sei que ela também segue essa linha, tanto comigo quanto com minha vó. E acho que esse é um dos grandes segredos nos relacionamentos à distância: não precisamos contar tudo, sobre tudo, o tempo todo. Só leva preocupação para quem está longe, dificulta a análise porque não tem o famoso olho no olho e resulta em muita ansiedade de ambos os lados. É difícil “enganar” a mãe, mas eu sinto que ela respeita os meus sumiços e tenho certeza que no fundo sabe que não é o melhor momento de papear. Sábia D. Iris.

E para homenagear essas duas mulheres de fibra, que tive o prazer de herdar o sangue, vou repassar a famosa receita de pão de queijo da minha vó, que minha mãe faz ficar 90% igual (os outros 10% só estando na cozinha da minha vó pra explicar toda experiência) e que eu me arrisquei a fazer dia desses e ficou 50% (100% de sabor, mas faltando toda aquela experiência sensorial de estar em Brasília, com a família toda reunida e usando o autêntico queijo minas curado… rs).

Pão de Queijo Mineiro, Vó Geralda

Essa receita rende cerca de 40 deliciosos pães de queijo! E dá pra congelar.

Ingredientes: 1 medida de pote de margarina (500 grs) de queijo minas* ou queijo parmesão* ralado – 4 copos (requeijão 200 grs) de polvilho doce – 1 copo de óleo – 1 copo de leite – 1 copo de água – 1 pitada de sal – mais ou menos 8 ovos.

Modo de fazer: coloque para ferver o óleo, a água e o leite (tudo junto). Quando levantar fervura você joga o líquido no polvilho (dentro de uma vasilha) e mexe bem com uma colher, porque vai estar super-hiper quente. O objetivo é formar uma goma – base fundamental do pão de queijo. Quando estiver morno coloque o queijo ralado e cerca de 5 ovos e vá amassando com as mãos. Vá colocando mais ovos (se for necessário) até dar a consistência certa para enrolar (não vai desgrudar das mãos). Da última vez que fiz deu um total de 7 ovos. Enrole os pães de queijo com a mão untada de óleo.

É uma receita rústica e bem mineira mesmo, não coloco em forminha (tipo empada) nem nada, basta fazer as bolinhas e colocá-las numa forma de bolo, pizza, etc, com uma certa distância umas das outras, porque os pães de queijo vão crescer. Coloque no forno pré-aquecido (entre 180 e 200 graus) e asse por cerca de 30 minutos ou até ficar dourado.

Se quiser congelar, coloque a forma com as bolinhas dos pães de queijo no congelador e quando tiver congelado você retira as bolinhas e coloca em saquinhos, mandando de volta ao congelador. Quando quiser assar, basta retirá-los dos saquinhos e dispor numa forma – SEM PRECISAR DESCONGELAR ANTES – e seguir o mesmo processo para assar.

* sobre o queijo: essa receita não tem como base usar parmesão de saquinho (industrializado), mas apenas os ralados na hora. Lojas que vendem frios e laticínios costumam vender os de boa qualidade e que não são caros. Se for queijo minas não serve o frescal, tem que ser o tipo curado, que é um minas mais amarelinho durinho e que dá pra ser ralado.

Deleite-se!

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11 respostas para Mudanças e afins

  1. Talita disse:

    Tati, agora em Goiânia!!! daqui a pouco tu chega por essas bandas daqui rsrsrsrs
    saudades
    xero

    • Minha nega vc não tem noção, mas mal chegamos e meu chefe já fala que o próximo passo será em Fortaleza! kkkkkkkkkk
      Já imaginou?!?! rsrsrs
      Mas ainda é cedo, só que agora fica mais fácil até pra ir pro nordeste, de Brasília pra lá é rápido e até mais barato.
      Saudades também! um xero!!!

  2. Ana Paula disse:

    Oi Tati, nossa que saudede, vire mexe penso em ligar, mas pode ter certeza que em pensamentos estou aí , torcendo por você nessa nova vida. Por aqui as coisas não andam muito fácial, muito trabalho, muita correria, a alegria é chegar em casa e ver um menino muito sapeca e falante, em falar em “falante”. Tem certeza que você não tem nenhuma participação nisso. Por que o Daniel fala, igual ele só a tia Tati. Bjs e saudade mil….

    • Ahh que fofo! Eu estou longe, mas de alguma maneira toda vez que ele se empolgar em falar vc vai lembrar de mim! kkkkkkk
      Adorei essa Paula! rsrs
      E os problemas estão aí para serem vencidos, pode ter certeza. bjo grande com muuuuita saudade, mas muuuita mesmo!

  3. Poliana disse:

    Hummmmm deu até vontade de ir lá na vó sábado anoite só pra comer esse pão de queijo…
    Vc bem que podia vir todo sábado comer né, é tão pertinho, rsrsrsrsrs…….
    Prima, adorei a volta do blog, é muito bom lê suas histórias, e esse post falando dá vó então, dá vontade de ir lá dá um xeru nela!!!!
    Realmente vc é muito guerreira em saber lhe dar com as mudanças, mesmo com todos os obstáculos!!! Já ti falei que ti admiro muito né?? Mas vou falar de novo…. Prima vc é demais!!! rsrsrs…. Muita sorte em Goiânia, que Deus abençoe essa temporada!!! E que ela seja longa, pra gente se vê bastante!!! Bjos te amo!!

    • Então vá! Aproveite pq só de pensar no cheirinho eu iria lá correndo! rs
      Muuuuuito obrigada pelo apoio e por tantas palavras bonitas… também te admiro muito e torço por vc, principalmente agora que está prestes a casar! :)
      Bjocassssssssss

  4. Sônia disse:

    Nosssssssa Tati! Já mudou novamente?
    Que beleza! O primeiro mes é esquisito,d epois que você conhece o padeiro, o açogueiro, a rua, os buracos, as vitrines, as coisas vão se acomodando.Tudo é sempre questão de tempo, e claro uma disponibilidade interna intensa, e isto você tem de sobra! Boa sorte querida!
    Parabéns pelo seu blog.bjo

  5. Ana disse:

    Me identifiquei muito com teu post, Tati. Eu também evito ficar falando de tudo com a família, principalmente as coisas ruins. E mais, tenho que ficar me censurando no meu blog, porque tem vezes que dá aquela vontade de escrever um mega post desabafo, mas fico pensando que eles vão ler e vão acabar sofrendo por mim também. Aí espero a angústia passar e deixo pra lá. Difícil, né?

    Marquei a receita pra testar aqui. Pena que aqui não acho queijo minas!

    • Pois é menina difícil pra caramba, é bem por aí. Minha mãe não é conectada, mas se fosse tenho certeza que mesmo tentando esconder ela sentiria quando há algo errado, ou uma melancolia no ar.
      Sobre a receita tente com parmesão, mas daqueles frescos sabe? Costuma ficar um pouco mais oleoso e salgado, mas ainda assim gostoso, me fala quando fizer. Bjo grande!!!

  6. Pingback: O centenário do blog | Deleite da Vida

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