Cenas do cotidiano

Dia desses eu vi uma entrevista da Denise Fraga no GNT, me identifiquei com o fato dela adorar observar cenas do cotidiano das outras pessoas, não poderia ser diferente mesmo, afinal onde ela buscaria tanta inspiração para retratar de maneira tão peculiar a vida das pessoas?

Eu também gosto de observar, tanto que quando o assunto é ruim (ou a pessoa não sabe contar), mas intrigante eu fico incomodada, pois ao mesmo tempo que tento desligar da história, algo me atrai para ver onde vai dar. Ah tem também as pessoas que tentam chamar atenção a todo custo com suas histórias bobas, nessas eu geralmente não caía, simplesmente colocava meu fone de ouvido ou pegava uma revista pra ler.

Eu tinha esse hábito – de observar – quando era uma assídua usuária dos transportes públicos de São Paulo, mas antes que os moralistas de plantão tentem me rechaçar eu explico, não era prestando atenção na conversa alheia propriamente dita, mas reparando no jeito das pessoas, em como certas situações aparentemente banais para mim, eram vistas como um verdadeiro furacão para seus protagonistas, eu nem me importava em ver os personagens das histórias da vida real, mas quando o conto era bom eu me divertia nas tantas horas de trajeto do trabalho até a minha casa. O mais divertido é que eu nunca pegava os contos do começo ou tinha a oportunidade de ver seu final, então eu ficava imaginando… taí uma coisa que faço até hoje: imaginar. Na minha época de aspirante a atriz (sim, eu fiz um curso profissional de teatro), eu tinha uma professora (Simone Shuba) que dizia que devíamos exercitar nossa imaginação nas cenas do cotidiano, por ex.: ao ver uma mulher nervosa num ponto de ônibus, o que poderíamos pensar daquela situação? Eu literalmente viajava nas observações, aliás recomendo a todos que queiram sair do quadrado, é também um ótimo exercício para quebrar paradigmas e “opiniões formadas” sobre tudo.

Alguns dias atrás nós fizemos uma baguncinha em família na casa do meu irmão. Em dado momento parecia mais a Torre de Babel com meu sobrinho brincando de bola com meu cunhado, minha irmã conversando com meus cunhados sobre seguro, meu pai tirando uns cochilos no sofá (pescando os peixes dos mais variados tamanhos), enquanto eu batia papo com minha mãe sobre a comida, com minha sogra sobre a TV, e também participava da conversa com meu irmão e minha cunhada que estavam na cozinha lavando louça, sem mentira, tudo isso acontecendo ao mesmo tempo. Me senti na bolsa de valores à moda antiga com seu caloroso pregão ou então nas feiras de domingo e sua gritaria inconfundível, as vezes rolava uma bolada na cabeça ou conversas atravessadas, porque todos os assuntos estavam interessantes… um verdadeiro barato. Num dado momento eu me vi observando aquela bagunça gostosa e pensei: taí um assunto pro blog que vai casar perfeito com o menu do dia – comida mexicana, que é sempre marcante, gostosa e com muita mistura.

As receitas de comida mexicana que eu e o namorido fazemos são de acordo com nosso gosto pessoal, então nosso intuito não é comparar com outras receitas existentes ou técnicas apuradas. Nós fazemos comidinha caseira que qualquer pessoa pode fazer também. Vamos lá?

Chilli com carne

Ingredientes:

2 xícaras de feijão vermelho – 700 grs de patinho moído – azeite – 1 cebola picada – alho – sal – pimenta do reino – cominho – chilli em pó – 1/2 tomate picado sem pele e sem semente – pimenta dedo de moça – molho de pimenta – molho inglês – extrato de tomate – coentro.

Modo de fazer:

Primeiro cozinhe as duas xícaras de feijão, de preferência com menos água do que costuma cozinhar outros feijões para dar caldo, a ideia é que fique com pouco caldo. O tempo de preparo do feijão vermelho é parecido com o carioquinha, eu costumo deixar de 30 a 40 minutos depois que pega pressão na panela. Reserve.

A preparação da carne é praticamente a mesma de quando se faz uma carne moída básica: você aquece o azeite, refoga a cebola e o alho, adiciona a carne pra dar uma fritada, coloca todos os temperos a gosto (sal, pimenta do reino, colorau, cominho, chilli em pó), a ideia é que fique um pouco mais condimentada, mais picante que o normal, eu costumo mexer a carne enquanto frita, pra que ela fique bem soltinha. Quando estiver já cozida e dourada, acrescente um pouco do molho inglês (um colher de sopa mais ou menos), a pimenta dedo de moça picada (eu retiro as sementes, senão fica muito picante e costumo usar de 1 a 2 unidades), o coentro picado e cozinhe por alguns minutos pra pegar o gosto mais picante, vá experimentado até que fique a seu gosto de pimenta e sal. Quando considerar a carne pronta, acrescente umas 2 colheres de extrato de tomate, mexa um pouco, abaixe o fogo e deixe apurar uns dois minutos. Acrescente então o feijão já cozido, sem água nenhuma do cozimento. Eu gosto de dar uma amassada nos grãos, pra que nem todos fiquem inteiros, dá um ar mais rústico. Como eu gosto de cozinhar o feijão sem tempero nenhum, experimente de novo e veja a necessidade de sal ou algum outro tempero. Deixe ferver por uns 5 minutos em fogo baixo (se estiver muito seco, grudando muito, pode acrescentar um pouco da água do feijão). Finalize com um desses queijos ralados na hora por cima do feijão: muçarela, queijo prato, parmesão ou cheddar. Tampe a panela, espere derreter o queijo e sirva com nachos (salgadinhos tipo Doritos; eu recomendo o Dippas, pois é apenas de milho, sem sabor adicional).

Dica: a proporção do chilli ao meu gosto é meio a meio, nem carne demais, nem feijão demais, mas você decide de acordo com seu gosto.

Acompanhamentos: guacamole, creme azedo e salsa mexicana, que vou dar essas receitas no decorrer da semana, juntamente com a receita de tacos.

Deleite-se!

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13 respostas para Cenas do cotidiano

  1. Ana Paula Zanatta Rosa disse:

    Legal Tati!!! vc escreve mto bem…parabéns!

  2. karina disse:

    .. ahahaha, q coincidência!
    Ontem fui em um mexicano .. aiii q delicia!!!! Q saudade deu do Méxicoooo, pelo menos com a receita já pré aprovada, eu faço em casa!!!! Valeu Tati cozinheiraaaa … depois conto se deu certo!!
    bjos

  3. Poliana Lima disse:

    Tati, eu também adoro prestar atenção na conversa dos outros no ônibus, isso é uma verdadeira distração rsrs…dá uma vontadezinha de olhar para trás e vê o rosto da pessoa,rsrs…. Teve uma vez que eu estava indo do estágio para a faculdade e tinha duas mulheres atrás de mim conversando sobre comida, uma começou a ensinar a outra a fazer um frango com ervas, e eu fui observando a conversa para tentar fazer, quando cheguei em casa tentei explicar para minha mãe como fazia, mas não deu certo ela não entendeu, e eu acabei nem tentando fazer o frango,rsrs… Parabéns pelo blog está uma delícia!!! Ah eu fiz o bolo de cenoura, ficou muito bom!!! Beijos!!

    • Olha só, já fez o bolo!!! A receita da Deise já está percorrendo vários estados! rsrsrs
      Somos da mesma família mesmo né? kkkkk… vou tentar achar uma receita de frango com ervas, aí eu faço, e se der certo vc terá sua receita da conversa pela metade! kkkkk
      Bjuuuuuuuuuuuu

  4. ricardo mano disse:

    Oi maninha!!saudades da “mexicana”rss… tava uma delicia!!!e a bagunça??rssss pena que o ap é pequeno….é como dizem, vc esta escrevendo bem pra caramba….faculdade de jornalismo?vc leva jeito hein maninha!!!bjos pra vc e pro cunha!!!!

    • O Le já quer fazer hoje de novo, acredita? Eita vício! Pequeno nada, é perfeito pra ficarmos todos bem juntinhos! rsrsrs… obrigada pelos elogios, quem sabe né? Quando eu era criança dizia que seria professora, agora tenho pensado bastante em dar aula; quando estava para escolher a faculdade, jornalismo era minha primeira opção pq adorava escrever… vai que tudo isso me leva a um caminho mais ou menos assim mesmo né? Nunca deixo de sonhar! Te amo bro, bjusssssss

  5. Oie…esse eu ainda não tinha lindo…kkkkk…de fato somos da mesma família, pois eu adoroooo observar as pessoas e ultimamente tenho tido uma vontade tremenda de comprar uma máquina fotográfica profissional e fotografar alguns momentos da vida……tem algumas semanas que estava parada no farol e vi um senhora super idosa de cabelinhos bem brancos na sacadinha da casa dela dando alguma coisa para os passarinhos comer….putz como queria ter uma máquina e registrar aquele momento……estranho, estamos ficando mais velhas e as coisas estão mudando….ando reparando coisas que na correria do dia a dia não via……estranho…..
    beijocas

  6. Carla Gigeck disse:

    Estou amando seu blog e me vendo nele hahaha quantas e quantas vezes ouvia as conversas no metro e pensava como agiria nessa ou naquela situação ! rsrsrs
    Beijos, seu blog esta otimo, parabens !

  7. Pingback: Tati de A a Z | Deleite da Vida

  8. Pingback: Elas dão cor e sabor | Deleite da Vida

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